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Ciência11 de ago. de 2026, 00:12

Ressonância sem radiação pode antecipar risco de Parkinson

Pesquisa do Samsung Medical Center usou ressonância magnética sensível à neuromelanina para identificar risco de Parkinson em pacientes com distúrbio do sono REM, sem expor ninguém a radiação.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Hoje, para saber se alguém corre risco elevado de desenvolver Parkinson antes dos primeiros tremores aparecerem, a medicina recorre a um exame de PET com contraste radioativo — caro, pouco acessível e que expõe o paciente a radiação. Uma pesquisa do Samsung Medical Center, na Coreia do Sul, testou uma alternativa: uma ressonância magnética comum, sem radiação nenhuma, ajustada para enxergar uma substância específica no cérebro chamada neuromelanina.

O que foi confirmado

Foto: reprodução/sammyfans.com

O estudo, liderado pela professora Joo Eun-yeon, do departamento de Neurologia do Samsung Medical Center, comparou 66 pacientes com transtorno comportamental do sono REM — distúrbio em que a pessoa "atua" os sonhos durante o sono, considerado um dos sinais precoces mais fortes de Parkinson — com 30 pessoas saudáveis do grupo controle.

Todos os 66 pacientes também passaram pelo exame de referência, o PET de transportador de dopamina (DaT-PET). Desse grupo, 37 tiveram resultado anormal no PET — indicando perda de neurônios ligados à dopamina — e 29 tiveram resultado normal.

Na ressonância sensível à neuromelanina, os 37 pacientes com PET alterado mostraram redução significativa de volume e de sinal na região avaliada. Já os 29 com PET normal não se diferenciaram do grupo saudável. Ou seja: a ressonância "enxergou" a mesma degeneração que o exame radioativo mais caro detecta.

O que ainda é hipótese

A equipe propõe usar a ressonância como triagem inicial de pacientes de alto risco, reservando o PET — mais caro e invasivo — só para os casos que a ressonância já sinalizar como suspeitos. É uma aplicação promissora, mas a amostra é pequena (96 pessoas ao todo) e o estudo comparou grupos já classificados por um exame de referência, não acompanhou pacientes ao longo do tempo para ver quem de fato desenvolveu Parkinson depois. Isso ainda precisa ser testado em estudos maiores e longitudinais antes de virar exame de rotina.

Achados do tipo já apareceram antes: um estudo publicado em fevereiro de 2026 pelo Asan Medical Center, em parceria com Philips e a startup Heuron, também usou ressonância de neuromelanina para Parkinson — mas em pacientes já diagnosticados, não em grupo de risco. São pesquisas distintas, ainda sem validação cruzada entre si.

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