
Retro, app de fotos entre amigos de ex-Instagram, capta US$ 21 milhões
Fundada por Nathan Sharp e Ryan Olson, a Retro fechou Série A liderada por Thrive Capital com aporte de Dylan Field, da Figma. App já soma 7 milhões de downloads e gasto interno saltou 460% em seis meses.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 21 milhões é o cheque que confirma a aposta contra o feed algorítmico
A Retro, aplicativo de compartilhamento de fotos entre amigos próximos fundado por dois ex-engenheiros de produto do Instagram, levantou mais de US$ 21 milhões em uma rodada Série A. A informação veio a público por um registro na SEC datado de 19 de agosto, embora o fechamento do aporte tenha ocorrido em dezembro de 2025. Pelas estimativas da PitchBook, a rodada avalia a companhia acima de US$ 100 milhões.
Quem apostou e por quê
O cheque foi liderado pela Thrive Capital e reuniu nomes de peso do ecossistema: Dylan Field, CEO da Figma, além de Scribble Ventures, Box Group, Imaginary Ventures, Coalition, Conviction, Copper e Positive Sum. A tese por trás do capital é simples: Nathan Sharp, cofundador e CEO, resume a proposta dizendo que "as pessoas ainda vão querer ver mais dos amigos" — uma resposta direta ao domínio de feeds tomados por criadores de conteúdo em vez de círculos pessoais.
O produto: nostalgia com métrica de negócio
Criada por Sharp e Ryan Olson, a Retro aposta em álbuns compartilhados, recapitulações e um recurso de "rewind" para relembrar fotos antigas com o grupo de amigos. Diferente do Instagram e na esteira do que o BeReal tentou emplacar, o app não vende publicidade: a receita vem de assinatura, com vídeos, comentários com GIFs e stickers, e personalização visual como diferenciais pagos.
Os números que sustentam a rodada
Desde o lançamento em 2023, a Retro acumulou cerca de 7 milhões de downloads, segundo dados da Appfigures. Mais relevante para os investidores: o gasto dentro do aplicativo cresceu 460% nos últimos 180 dias, sinal de que a monetização por assinatura está engatando justamente no momento em que o mercado testa alternativas ao modelo publicitário saturado das redes sociais.
Quem sai na frente
Com Instagram e Meta cada vez mais orientados a conteúdo de criadores e algoritmo, a Retro tenta ocupar o espaço que o BeReal não conseguiu sustentar: o de rede social pequena, paga e sem anúncios. O desafio segue o mesmo de sempre nesse nicho — transformar buzz e nostalgia em retenção de longo prazo antes que o próximo aplicativo da moda apareça.