
Rippling processa Runlayer por patentes, em resposta a acusação de cópia
A Rippling entrou com contraprocesso alegando violação de três patentes pela startup Runlayer, um mês depois de ser acusada de copiar o produto da rival. O caso é a primeira disputa judicial dentro do ecossistema de MCP.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
De acusada a autora do processo
A Rippling, startup de RH avaliada em bilhões de dólares, apresentou na segunda-feira (10) um contraprocesso contra a pequena Runlayer, acusando a rival de infringir três patentes ligadas a integração de software corporativo e operações de gatilho ("trigger") em sistemas de dados. A ação foi movida no tribunal federal de Delaware.
O movimento é resposta direta ao processo que a Runlayer abriu em 28 de julho, em Nova York, acusando a Rippling de quebra de contrato e roubo de ideias de produto. Segundo a Runlayer, um funcionário da própria Rippling avisou o fundador Andrew Berman, em junho, que havia "um projeto interno para construir essencialmente um clone da Runlayer... é quase uma cópia 1 para 1".
O que está em disputa
No centro do conflito está o "gateway MCP" — uma camada de controle que fica entre agentes de inteligência artificial e servidores que seguem o Model Context Protocol, padrão usado para conectar IAs a ferramentas externas. Essa camada gerencia autenticação, controle de acesso, monitoramento e políticas de uso corporativo.
A Runlayer alega que a Rippling testou o produto da startup por quase um ano, sem fechar um acordo comercial, e depois construiu um servidor MCP concorrente internamente. Já a Rippling classifica o processo original como "manufaturado" e diz que avisou a Runlayer sobre as violações de patente logo após ser processada — sugerindo que a startup menor estaria copiando tecnologia da Rippling, e não o contrário.
Tamanho da disputa
A Runlayer, cujo nome corporativo é Anysource Inc., foi fundada há cerca de um ano por Andrew Berman, em sua terceira experiência como fundador, e levantou US$ 42 milhões em capital. Para reforçar a tese de que o caso vai além de um dispute contratual comum, a startup contratou o escritório Sullivan & Cromwell, com equipe liderada por Andrei Iancu, ex-diretor do escritório de patentes dos Estados Unidos (USPTO).
Quem ganha e quem perde
Para a Rippling, gigante do setor de RH corporativo, o contra-ataque busca neutralizar a narrativa de que copiou uma startup pequena, jogando o ônus da prova sobre a Runlayer. Para a Runlayer, o caso é existencial: perder a disputa de patentes pode comprometer a viabilidade de seu principal produto. O episódio também marca a primeira briga judicial dentro do ecossistema de MCP, sinalizando que a infraestrutura de agentes de IA já é disputada como propriedade intelectual valiosa — e não apenas como código aberto colaborativo.