
Rival chinesa da Starlink homologa antena na Anatel e mira o Brasil
A Anatel aprovou o equipamento residencial da SpaceSail, empresa chinesa de internet via satélite, com velocidade de até 400 Mb/s de download. A entrada no mercado brasileiro, prevista para o fim de 2026, deve pressionar a concorrência com a Starlink.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
400 Mb/s é a velocidade que a Anatel acabou de homologar
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) certificou, em 19 de outubro, a antena residencial da SpaceSail — companhia chinesa de internet via satélite que vem sendo tratada como a principal rival da Starlink, a rede de satélites da SpaceX, empresa de Elon Musk. O equipamento, modelo STG-S001-A0 e fabricado pela Shanghai Hanxun Information Technology, promete até 400 Mb/s de download e 100 Mb/s de upload — velocidades compatíveis com os planos mais robustos já oferecidos pela concorrente americana no país.
Quem ganha com a disputa
A homologação do hardware é um passo técnico, mas decisivo: sem ela, nenhum equipamento de telecomunicações pode ser comercializado legalmente no Brasil. A SpaceSail já havia recebido da Anatel, em fevereiro de 2026, autorização para operar satélites no território nacional, com direito a colocar em órbita até 324 satélites iniciais e validade da licença até julho de 2031. Agora, com o aval para o terminal que fica na casa do cliente, falta menos para a empresa sair do papel.
Se a entrada da SpaceSail se concretizar, quem ganha é o consumidor — sobretudo em áreas rurais, comunidades isoladas e na Amazônia, regiões que hoje dependem quase exclusivamente da Starlink para acesso à internet de banda larga sem infraestrutura terrestre. Mais um player no setor tende a pressionar preços e ampliar opções de planos.
Quem perde (por enquanto, ninguém confirmado)
A Starlink, que cobra entre R$ 49 e R$ 619 por mês dependendo do plano no Brasil, é a referência natural de comparação, mas ainda não enfrenta concorrência direta de fato: a SpaceSail não divulgou preços nem data exata de lançamento. Segundo documentos apresentados à Anatel, a expectativa da própria empresa é iniciar a operação comercial no quarto trimestre de 2026, dentro do prazo de até dois anos que tem para colocar o serviço no ar a partir da autorização de fevereiro.
O que ainda falta
Antes de chegar às casas dos brasileiros, a SpaceSail precisa definir tabela de preços, modelo de distribuição e cronograma de lançamento dos satélites que sustentam a rede — a empresa produz cerca de 500 satélites por ano. O movimento ganhou força depois de um acordo anunciado durante visita do presidente Lula à China em 2025, que sinalizou interesse do governo brasileiro em diversificar fornecedores de conectividade via satélite. Por ora, a certificação da Anatel é o indicador mais concreto de que a disputa pelo mercado de internet via satélite no Brasil está prestes a ganhar um segundo nome relevante.