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MercadoIA23 de out. de 2026, 09:34

Rivian compra startup britânica de IA para acelerar carro autônomo

A montadora de veículos elétricos Rivian adquiriu a Third Dimension, startup do Reino Unido que transforma vídeos em simulações 3D realistas, para turbinar o desenvolvimento de seu sistema de direção autônoma. Os termos financeiros não foram revelados.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Quinze pessoas e uma tecnologia de simulação 3D: é esse o tamanho da aposta da Rivian, montadora americana de veículos elétricos fundada em 2009 e conhecida por picapes e SUVs 100% elétricos, ao comprar a Third Dimension, startup britânica especializada em world models — modelos de inteligência artificial que recriam o mundo físico em ambientes virtuais realistas a partir de imagens e vídeos reais, em vez de cenários sintéticos.

O que a Rivian está comprando

Fundada em 2024 pelos empreendedores Tolga Kart e Piotr Sokólski, a Third Dimension havia levantado US$ 7 milhões em uma rodada seed com investidores como Abstract Ventures, MVP, Soma Capital e Solari Capital. Os termos financeiros da aquisição pela Rivian não foram divulgados. A equipe de 15 pessoas, majoritariamente baseada no Reino Unido, será incorporada ao time de autonomia e IA da montadora, liderado por James Philbin, e deve reforçar o hub de inteligência artificial que a empresa já mantém em Londres.

Por que simular o mundo importa

A tecnologia da Third Dimension converte imagens e vídeos captados por veículos reais em simulações 3D fiéis à realidade — um atalho para treinar sistemas de direção autônoma sem depender só de gravações ao vivo nas ruas. A Rivian já coleta mais de 400 mil sequências de condução por dia a partir de dezenas de milhares de veículos em circulação, e pretende usar esse volume de dados somado à tecnologia recém-adquirida para acelerar o treinamento de seus algoritmos.

O momento não é acaso: a Rivian já oferece o recurso Universal Hands-Free, que permite dirigir sem as mãos no volante em rodovias, e promete até o fim de 2026 uma versão capaz de rodar sem intervenção manual também em ruas urbanas. A ambição maior é lançar, em 2028, o robotáxi R2 operando no aplicativo da Uber com autonomia completa, sem motorista.

Quem ganha com a jogada

A aquisição coloca a Rivian na mesma corrida de montadoras e empresas de tecnologia que apostam em world models para acelerar o desenvolvimento de carros autônomos — uma abordagem que outras companhias do setor também vêm adotando para reduzir custo e tempo de teste em vias reais. Para a Third Dimension, a venda garante músculo financeiro e acesso a uma frota real de veículos para validar sua tecnologia em escala. Resta saber se o prazo de 2028 para o robotáxi R2 resistirá ao histórico do setor de atrasar promessas de autonomia total.

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