tech & talk
Mercado01 de nov. de 2026, 22:02

Rivian fala mais de robotáxi do que do R2 em balanço do 3º trimestre

Na teleconferência de resultados, RJ Scaringe dedicou mais tempo à autonomia ponto a ponto do que à produção do R2, com teste crucial marcado para ainda este ano e robotáxi com a Uber previsto para 2028.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

2028 é o ano que importa para a Rivian

É esse o prazo que a Rivian, fabricante americana de picapes e SUVs elétricos, deu para rodar seus primeiros robotáxis com a Uber — e, segundo o CEO RJ Scaringe, o caminho até lá passa por um teste decisivo já nos próximos meses. Na teleconferência do terceiro trimestre, Scaringe falou mais sobre as ambições de autonomia ponto a ponto do que sobre a rampa de produção do R2, hoje o carro mais vendido da marca. A inversão não é acidental: é a aposta de que software vai pesar tanto quanto chapa e motor na briga por mercado.

O roteiro em três etapas

O plano tem datas específicas. Ainda em 2026, a Rivian libera, por convite, um acesso antecipado à condução ponto a ponto supervisionada — o "teste crucial" deste ano, em que o carro dirige do endereço de partida ao destino, passando por cruzamentos, trevos complexos e acessos de rodovia, com o motorista ainda de olho na via. Em 2027, a função chega a todos os assinantes do Autonomy+ e evolui para operação sem supervisão ("eyes-off"). Só em 2028 vêm os robotáxis de fato, via parceria com a Uber, aplicativo americano de transporte: a Rivian vai fornecer 10 mil unidades do R2 em versão robotáxi, com opção de mais 40 mil, com estreia em São Francisco e Miami.

Números que sustentam a aposta

Scaringe comparou o sistema diretamente ao FSD da Tesla, citando a adoção de cerca de 75% entre compradores do rival como referência, e descreveu sua experiência com o point-to-point da Rivian como "maravilhosa" — um "ponto de inflexão" no uso diário de autonomia. Ele evitou dar número exato de adesão ao pacote Autonomy+, dizendo só que a taxa "superou as expectativas". No trimestre, a receita de software da Rivian somou US$ 605 milhões, alta de 45% ano a ano, com margem de 42% — prova de que já há dinheiro real nessa frente, mesmo com o robotáxi ainda distante.

Quem ganha e quem perde

Se o calendário se sustentar, a Rivian se cola à Tesla e à Waymo, serviço de robotáxi do Google/Alphabet, na corrida por autonomia nos EUA, tentando furar um mercado hoje dominado por quem já roda sem motorista há anos. O risco: falar mais de software do que de fábrica, com o R2 ainda em rampa, pode desviar atenção da entrega que paga as contas hoje. Para a Uber, que vai colocar até 50 mil robotáxis da Rivian na rua, a aposta é dupla — frota própria de elétricos e um fornecedor disposto a brigar de igual para igual com quem já testa autonomia em escala.

rivianrobotáxiautonomia veicularubertesla fsd
Compartilhar