tech & talk
Mercado19 de out. de 2026, 10:52

Rivian quer virar fornecedora de tecnologia para outras montadoras

Com joint venture de US$ 5,8 bilhões com a Volkswagen e participação de 31% na startup de robótica Mind Robotics, a Rivian planeja licenciar sua arquitetura elétrica, software e tecnologia de direção autônoma para outras marcas.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

US$ 5,8 bilhões é o número que resume a virada de estratégia

A Rivian, fabricante americana de picapes e SUVs 100% elétricos fundada por RJ Scaringe, está deixando de ser apenas uma montadora para se tornar também fornecedora de tecnologia. O centro da mudança é a joint venture de até US$ 5,8 bilhões firmada com o Grupo Volkswagen, batizada de Rivian and VW Group Technology, para desenvolver arquitetura eletroeletrônica e software que serão usados tanto em veículos da Rivian quanto da VW.

Como o dinheiro está dividido

Foto: reprodução/cnbc.com

Do total acertado com a Volkswagen, US$ 1,3 bilhão é destinado ao desenvolvimento de software, US$ 3,5 bilhões financiam a compra de ações da Rivian pela VW, e US$ 1 bilhão fica reservado para um possível empréstimo da montadora alemã à americana. Os primeiros modelos da VW a usar a plataforma devem chegar já em 2027, enquanto a tecnologia estreia primeiro no Rivian R2, com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2026. A operação é comandada em conjunto pelo diretor de software da Rivian, Wassym Bensaid, e pelo CTO da Volkswagen, Carsten Helbing.

Direção autônoma com a Uber e aposta em robótica

Além do acordo com a VW, a Rivian constrói um sistema de direção autônoma ponta a ponta em parceria com a Uber, mirando futuros robotáxis baseados no R2 — com planos de colocar até 10 mil veículos totalmente autônomos nas ruas em uma primeira fase, com início previsto em São Francisco e Miami em 2028. A empresa também detém 31% da Mind Robotics, startup de robótica industrial fundada pelo próprio Scaringe, que tem a Rivian como potencial cliente e contratou Doug Field, ex-executivo de software, como presidente.

Quem ganha e quem perde com a virada

Se a estratégia de licenciamento for bem-sucedida, a Rivian passa a lucrar com tecnologia vendida a "várias marcas diferentes", nas palavras de Scaringe, reduzindo a dependência exclusiva da venda de veículos — um caminho parecido com o que a Tesla tenta com software e baterias. A Volkswagen ganha acesso a uma arquitetura mais moderna sem precisar desenvolvê-la do zero, mas fica mais dependente de um parceiro americano para seu futuro elétrico. Já consumidores e concorrentes menores podem sentir o impacto se o pacote de software e hardware autônomo da Rivian se tornar padrão de mercado, dificultando a competição para fabricantes sem escala ou parcerias semelhantes.

rivianveículos elétricosvolkswagendireção autônomauber
Compartilhar