
Roadster da Tesla é revelado após quase 9 anos de atraso e fama de vaporware
Elon Musk finalmente mostrou a versão de produção do novo Tesla Roadster em evento adiado para 15 de outubro, quase uma década depois do anúncio original de 2017. O carro promete 0 a 60 mph em 1,1 segundo com o pacote de propulsores da SpaceX.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Quase nove anos de espera
Foram necessários cerca de nove anos para a Tesla finalmente apresentar a versão de produção do novo Roadster — o carro que Elon Musk prometeu pela primeira vez em novembro de 2017, no evento de lançamento do caminhão elétrico Tesla Semi. O reveal, inicialmente marcado para 1º de outubro de 2026, acabou adiado para 15 de outubro em razão de previsão de mau tempo no local do teste, nas proximidades de Waco, no Texas, onde fica uma instalação da SpaceX, a empresa aeroespacial também de Musk.
O atraso de quase uma década transformou o Roadster em símbolo de "vaporware" no mercado automotivo: um produto anunciado, pago antecipadamente por milhares de clientes, mas que nunca saía do papel. O caso mais emblemático é o do CEO da OpenAI, Sam Altman, que reservou o carro em julho de 2018 com um depósito de US$ 50 mil e, após anos de espera, tentou cancelar o pedido — chegando a reclamar publicamente que o e-mail de atendimento da Tesla parecia fora do ar. Musk rebateu a situação publicamente e afirmou que o reembolso foi feito em 24 horas.
Foto: reprodução/electrek.co
O que a Tesla prometeu entregar
Segundo as especificações divulgadas, a versão de produção do Roadster deve acelerar de 0 a 60 mph (cerca de 97 km/h) em 1,9 segundo, com velocidade máxima acima de 250 mph (cerca de 400 km/h) e autonomia de até 620 milhas (quase 1.000 km) graças a uma bateria de 200 kWh. O preço da versão limitada "Founders Series", restrita a mil unidades, deve ficar entre US$ 200 mil e US$ 250 mil.
O grande diferencial é o opcional "pacote SpaceX": um conjunto de propulsores a gás frio (cold gas thrusters) desenvolvido em parceria com a fabricante de foguetes, que promete reduzir o tempo de 0 a 60 mph para 1,1 segundo e melhorar frenagem e curvas — podendo, segundo reportagens, até erguer brevemente o carro do chão em demonstrações. O pacote deve custar mais de US$ 50 mil adicionais.
Quem ganha e quem perde com a entrega
Para a Tesla, finalmente mostrar o carro é uma tentativa de recuperar credibilidade junto a clientes que esperam havia quase uma década e junto ao mercado, que já reagiu mal a revelações anteriores da empresa — as ações caíram 6% após o Cybertruck em 2019 e 8,3% após o Cybercab em 2024. Em 2026, a Tesla acumula o pior desempenho entre as gigantes de tecnologia do grupo "Magnificent Seven", com queda de cerca de 17% no ano.
Quem sai fortalecido, ao menos simbolicamente, é a SpaceX, que ganha vitrine tecnológica ao emprestar seu sistema de propulsão a um carro de rua. Já os clientes que mantiveram a reserva por anos — e os que desistiram, como Altman — tornam-se o contraponto que resume o episódio: a aposta de Musk em entregar o Roadster só se paga se o carro realmente chegar às ruas, e não apenas a um palco em Waco.