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Mercado20 de out. de 2026, 19:18

Roadster 'voador' da Tesla expõe hype à frente da regulamentação

A Tesla encenou um Roadster flutuando e girando no ar com tecnologia da SpaceX, mas nem Elon Musk garante que o carro será legal de usar. Para o mercado, o espetáculo vende reserva antes de qualquer norma existir.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Carro sobe rampa, flutua e gira no ar antes de pousar

A Tesla, montadora de carros elétricos fundada por Elon Musk e que já havia prometido um Roadster "voador" desde 2017, voltou a apostar no espetáculo para vender o novo Roadster 2. Em demonstração realizada em instalação da SpaceX, o protótipo subiu uma rampa curva, ficou de cabeça para baixo, flutuou ao se desprender e pousou liberando vapor, usando um sistema de sucção a ar e propulsores a gás frio fornecidos pela própria SpaceX. Segundo a Tesla, o conjunto é capaz de sustentar o carro por breves momentos no ar — o que a empresa trata como "voo", mas que a reportagem do Canaltech, fonte desta apuração, descreve como mais próximo de uma flutuação controlada do que de voo propriamente dito.

CNH não basta, mas brevê também não está definido

A pergunta que a demonstração levanta é prática: que documento habilitaria alguém a tirar o carro do chão? Nos Estados Unidos, a FAA já exige registro e licença, inclusive de piloto, para veículos voadores acima de 115 kg — peso que o Roadster supera com folga. No Brasil, a Anac ainda não tem regra específica para o Roadster, mas já sinalizou o caminho: a agência abriu consulta pública para criar uma categoria de habilitação própria para pilotos de eVTOLs, com exigência de idade mínima de 18 anos, ensino médio concluído e certificado médico aeronáutico. Ou seja, o paralelo mais próximo hoje aponta para algo mais parecido com brevê de aviação do que com CNH comum.

Quem ganha com o hype, quem perde com a espera regulatória

O próprio Elon Musk admitiu publicamente não saber se a versão "voadora" do Roadster será legal em todas as jurisdições, nem se o sistema será seguro o suficiente para chegar ao mercado como anunciado. Isso não impediu a Tesla de abrir reservas: a versão Performance pede depósito de US$ 50 mil, a Thrust (com os propulsores de aceleração) sobe para US$ 250 mil, e existe ainda uma versão Rocket, de convite restrito e banco único, com o sistema completo de "voo". A produção comercial foi prometida para 2028.

Para o mercado, o cálculo é claro: a Tesla lucra agora, capturando depósitos e atenção global antes mesmo de qualquer homologação existir, enquanto reguladores nos EUA e no Brasil ainda constroem as regras que vão decidir se — e como — o carro pode realmente operar fora do chão. Quem sai na frente é a marca, reforçando a narrativa de inovação do Roadster original; quem corre atrás é o arcabouço regulatório, que dificilmente estará pronto a tempo de 2028. Entre o espetáculo e a aprovação de voo, a distância ainda é grande.

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