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Ciência12 de ago. de 2026, 23:44

Robô mecânico espacial da Northrop tenta prolongar vida de satélites

O Mission Robotic Vehicle, da Northrop Grumman, tentará pela primeira vez encaixar um propulsor extra em um satélite antigo para estender sua operação por anos. A manobra está marcada para 2027.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagine um carro do tamanho de uma minivan, boiando a 36 mil quilômetros de altura, estendendo dois braços robóticos de três metros cada para encaixar, com precisão milimétrica, uma peça do tamanho de uma mochila em um satélite que já está ficando sem combustível. É basicamente isso que a Northrop Grumman está tentando fazer com o Mission Robotic Vehicle (MRV), lançado em 22 de julho de 2026 a bordo de um Falcon 9, da SpaceX, saindo de Cabo Canaveral.

O que já é fato

Foto: reprodução/fortune.com

O lançamento aconteceu, isso está confirmado: o MRV subiu junto com outras três espaçonaves da Northrop Grumman e agora passa o próximo ano manobrando até a órbita geoestacionária, a cerca de 36 mil km da Terra. A espaçonave foi desenvolvida em parceria com a DARPA, a agência de projetos avançados de defesa dos Estados Unidos, e tem dois braços robóticos articulados equipados com ferramentas especializadas para inspecionar, reparar, remover detritos e montar equipamentos em satélites já em órbita.

Também é fato que a Northrop já tem histórico nisso: as Mission Extension Vehicles (MEVs), versões anteriores e mais simples, já se acoplaram a três satélites comerciais de comunicação, incluindo espaçonaves da Intelsat, funcionando como um "rebocador" que assume o controle de altitude do satélite hospedeiro.

O que ainda é tentativa

Aqui começa a parte inédita. Por volta de meados de 2027, o MRV vai tentar, pela primeira vez, usar seus braços para pegar um Mission Extension Pod (MEP) — um módulo propulsor a xenônio, do tamanho de uma mochila, apelidado de "jetpack" — e encaixá-lo fisicamente em um satélite antigo ainda em operação. O alvo é o Optus D3, satélite de comunicações da operadora australiana Optus (controlada pela SES, de Luxemburgo), lançado em 2009 com expectativa de vida de 15 anos.

Se a montagem funcionar, o MEP deve estender a vida útil do Optus D3 em até seis anos, segundo a Optus, evitando o custo de um satélite substituto — que pode chegar a centenas de milhões de dólares. Mas, até a manobra ser concluída em órbita, tudo isso continua sendo uma promessa técnica, não um resultado.

Por que importa

A aposta da Northrop Grumman resume uma mudança de modelo de negócio no setor espacial: com lançamentos mais baratos e componentes menores, reparar satélites em órbita deixou de ser ficção científica para virar plano de negócios. Se o encaixe do MEP no Optus D3 der certo em 2027, a empresa terá provado que é possível prolongar a vida de uma frota inteira de satélites comerciais sem precisar substituí-los — um mercado que outras empresas, como a Intelsat, já começam a testar.

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