
Robôs cortadores de grama finalmente ficaram bons, lidera o Segway
A The Verge testou cinco robôs cortadores de grama de última geração e, pela primeira vez, nenhum ficou preso o verão inteiro. O Segway Navimow X430 venceu, mas a pergunta que fica é se essa evolução toda vale o preço por aqui.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
A geração que finalmente parou de travar
Todo ano prometem que os robôs cortadores de grama estão prontos pra substituir o cortador manual. Todo ano a especificação bate mais alto que a experiência real. Dessa vez, testando cinco modelos por um verão inteiro num quintal cheio de árvores e solo arenoso na Carolina do Sul, a The Verge finalmente encontrou um que não passou o tempo todo preso embaixo de carvalho.
A virada de chave chama-se NetRTK. Antes, o RTK (posicionamento por satélite de precisão centimétrica) exigia instalar uma antena própria com visão livre do céu — e em quintal arborizado isso simplesmente não funcionava. Agora a antena fica na nuvem, acessada via Wi-Fi ou 4G do próprio robô, com navegação reserva por lidar ou câmeras para quando o sinal cai. Isso é especificação virando experiência: não é o número de sensores que importa, é o robô não ficar catatônico debaixo da árvore.
Os cinco testados, e por que o Segway ganhou
O Segway Navimow X430 (US$ 2.499) foi o único que não travou nenhuma vez. Tração nas quatro rodas, suspensão boa o bastante para passar por buracos e galhos, giro no próprio eixo sem rasgar grama e corte de quintal inteiro em menos de três horas — quase o dobro da velocidade da concorrência.
O Dreame A3 AWD Pro 2500 (US$ 3.099,99) usa lidar em vez de RTK, então dispensa a exigência de céu limpo, mas errou o cálculo de quando o serviço estava concluído algumas vezes. O Husqvarna Automower 420 IQ (US$ 3.299) trouxe a garantia mais longa (quatro anos) e o app mais simples, mas sem câmera — só radar —, então bateu em arbustos.
Já o Mammotion Luba 3 AWD 3000 (US$ 2.799) combina RTK, lidar e visão ao mesmo tempo, mas um bug de software na lógica de giro rasgou grama em áreas úmidas. A fabricante reconheceu o problema e já lançou atualizações. No orçamento, o Roborock RockNeo Q110H (US$ 1.299) ficou pela metade do preço dos concorrentes, sem tração nas quatro rodas e com alcance mais limitado.
Vale o preço no Brasil?
Aqui a conta muda de figura. Husqvarna já vende sua linha de robôs cortadores oficialmente no país, então esse não é mais um nicho de importação forçada — mas os valores em reais, com impostos e distribuição local, tendem a pesar bem mais que a etiqueta em dólar. Segway, Mammotion, Dreame e Roborock ainda não têm operação formal por aqui para esses modelos específicos.
O avanço é real: pela primeira vez a categoria entrega o que promete, sem o dono precisar resgatar o robô do jardim do vizinho todo santo dia. Mas ainda faltam resolver detecção de mangueira, cabo e carro, além do clássico portão que ninguém no setor destravou. Antes de importar ou esperar chegada oficial, vale perguntar: seu quintal tem árvore, sombra e desnível — ou é o cenário de propaganda, gramado plano e sem obstáculo?