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Smart CitiesMercado21 de ago. de 2026, 14:23

Robotaxi da Tesla em Austin opera sem supervisor, mas dúvidas persistem

Sete meses depois de Elon Musk anunciar corridas sem monitor de segurança a bordo, um rastreador independente registrou 170 viagens sem ninguém no banco do motorista em duas semanas. O anúncio do Cybercab, primeiro carro da Tesla sem volante, é esperado para as próximas semanas em Austin.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Sete meses depois, a promessa parece ter saído do papel

Quando Elon Musk disse, em 22 de janeiro de 2026, que os Robotaxis da Tesla em Austin passariam a rodar sem um monitor de segurança dentro do carro, muita gente ficou de pé atrás — inclusive porque vídeos posteriores mostraram carros "batedores" da própria Tesla seguindo os robotaxis, sugerindo que o monitor humano tinha apenas mudado de veículo. Sete meses depois, no entanto, um rastreador de crowdsourcing que acompanha o serviço identificou 170 corridas nas últimas duas semanas sem qualquer supervisor humano visível a bordo — o indício mais consistente até agora de que a operação em Austin, Texas, finalmente foi além do teatro de demonstração.

Para quem mora ou visita a capital do Texas, a pergunta é prática: dá pra confiar num carro sem ninguém no banco do motorista? A trajetória não foi linear. A Tesla lançou o serviço supervisionado em junho de 2025, com um funcionário sentado ao lado do passageiro pronto para intervir. Em janeiro deste ano vieram as primeiras corridas anunciadas como "sem monitor", ainda restritas a uma área pequena da cidade. Só em junho a empresa disse ter expandido a operação sem supervisão para toda a região metropolitana de Austin, incluindo subúrbios como Pflugerville e Manor e o Aeroporto de Austin-Bergstrom.

Foto: reprodução/cbsnews.com

O que isso custa — e quem fiscaliza

A Agência Nacional de Segurança no Trânsito dos EUA (NHTSA) já pediu explicações formais à Tesla depois de identificar entre 14 e 17 colisões envolvendo o serviço desde o lançamento, a maioria com dano material e sem feridos graves — mas pelo menos um caso teve vítima hospitalizada. A empresa também confirmou dois acidentes em que o carro estava sendo dirigido remotamente por um teleoperador, não pelo software sozinho, o que reabre a dúvida sobre o quanto de "autonomia" existe de fato por trás do rótulo unsupervised.

Em termos de tarifa, analistas apontam que a Tesla cobra cerca de US$ 0,81 por milha rodada, valor abaixo dos US$ 1,36 a US$ 1,43 cobrados pela concorrente Waymo — mas o tempo de espera em Austin costuma passar de 15 minutos, contra menos de 6 minutos da rival. E a escala ainda é bem diferente: enquanto a Tesla opera uma frota pequena, contada em dezenas de veículos, a Waymo já roda cerca de 3.000 carros e soma 500 mil corridas pagas por semana em 11 cidades americanas, com planos de chegar a Tóquio e Londres.

Cybercab é a próxima aposta

O próximo capítulo é o Cybercab, o primeiro veículo da Tesla projetado desde o início sem volante nem pedais, destinado exclusivamente à operação autônoma. A produção já começou na Gigafactory Texas, e a expectativa é de que o lançamento público em Austin aconteça ainda em agosto, começando com corridas para funcionários antes de abrir ao público. Musk já afirmou que a empresa "precisa acumular dados de direção específicos do Cybercab antes de colocar muitas unidades na rua" — um sinal de cautela que contrasta com o ritmo acelerado de anúncios dos últimos meses.

Para o cidadão de Austin, a conta ainda não fechou: os números de corridas sem supervisor melhoraram, mas a fiscalização depende, em boa parte, de voluntários rastreando carros pela rua e de relatórios que a própria Tesla envia à NHTSA. Enquanto isso, a resposta a perguntas básicas — quantos acidentes realmente aconteceram, quanto custa manter a operação e quem responde caso algo dê errado — segue mais nas mãos da empresa do que dos órgãos públicos.

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