
Robotaxis avançam nos EUA, e a reação também
Enquanto a Zoox já cobra por corridas sem volante em Las Vegas, Nova York recuou de liberar robotáxis fora da capital após pressão de taxistas, sindicatos e legisladores.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Nova York recua, Nevada avança
A governadora de Nova York, Kathy Hochul, retirou uma proposta que abriria caminho para robotáxis sem motorista fora da cidade de Nova York. A recusa veio depois que taxistas, sindicatos e legisladores estaduais se opuseram abertamente — episódio que resume bem o momento atual dos carros autônomos nos Estados Unidos: a tecnologia avança em alguns lugares, mas encontra parede política em outros.
Enquanto isso, em Las Vegas, a Zoox — da Amazon — já cobra por corridas em veículos sem volante e sem pedais desde 10 de agosto, dez dias depois de a NHTSA (agência federal de segurança viária dos EUA) publicar uma isenção regulatória inédita: a primeira aprovação federal para um veículo autônomo puro-sangue, sem controles manuais, oferecer corridas pagas ao público. A isenção vale por dois anos e permite até 2.500 veículos operando por ano, com dispensa de exigências como pedal de freio e retrovisores tradicionais — trocados por sensores e câmeras.
Foto: reprodução/cnbc.com
Quem decide as regras do robotáxi
O contraste entre Nevada e Nova York expõe uma pergunta que ainda não tem resposta única nos EUA: robotáxi é assunto de regulação federal (NHTSA) ou de cada estado e prefeitura? A NHTSA sinaliza abertura — inclusive estuda mudar regras de segurança veicular para facilitar a entrada de veículos como os da Waymo, da própria Zoox e da Tesla. Mas cidade e estado continuam tendo a palavra final sobre onde e como esses carros podem rodar.
Em São Francisco, essa fricção ficou visível na prática: mais de 30 veículos da Waymo ficaram parados em faixas de trânsito durante os fogos de 4 de julho, travando ruas e até impedindo reboques de chegar aos carros imobilizados. O prefeito Daniel Lurie cobrou dos reguladores estaduais novas exigências para robotáxis em eventos de grande público — como capacidade de tirar veículos travados da via em tempo real e transparência sobre falhas operacionais.
O que fica para quem usa a cidade
O episódio de Nova York mostra que a resistência não vem só de quem desconfia da tecnologia, mas de quem tem emprego em jogo: motoristas de táxi e aplicativo. Já o caso de São Francisco levanta outra questão, mais urbana: mesmo aprovado, um robotáxi pode virar obstáculo de rua se a cidade não tiver plano para quando a frota falha em massa. Cabe perguntar: quem fiscaliza esse tipo de operação no dia a dia, e quem paga a conta quando ela trava a cidade inteira?