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Ciência21 de ago. de 2026, 14:22

Rocha de 3,5 bilhões de anos na Índia pode ter sinal de vida antiga

Um chert encontrado no Craton de Singhbhum, na Índia, apresenta camadas de carbono que podem ser resquícios de tapetes microbianos primitivos. A datação é considerada confirmada; a origem biológica ainda é tratada como hipótese pelos próprios pesquisadores.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: imagine segurar uma pedra do tamanho da palma da mão e saber que ela é quase um quarto da idade do universo. É basicamente isso que pesquisadores têm em mãos na Índia — um pedaço de chert, rocha rica em sílica e carbono, que pode guardar os sinais mais antigos já documentados de vida na Terra.

O que foi encontrado

A rocha veio do Cráton de Singhbhum, no leste da Índia, próximo ao vilarejo de Bhitardari, cerca de 20 km ao sul de Jamshedpur, em Jharkhand. Datação por urânio-chumbo em cristais de zircão embutidos na rocha apontou uma idade de aproximadamente 3,497 bilhões de anos — isso é cerca de 1,1 bilhão de anos depois da formação do próprio planeta, que tem 4,6 bilhões de anos.

A amostra apresenta camadas finas alternadas de sílica e material carbonáceo, um padrão que lembra tapetes microbianos fossilizados — estruturas multicamadas formadas por bactérias e arqueias primitivas quando ainda existiam. Análises isotópicas de carbono (δ13C) na matéria carbonácea, combinadas com a relação estratigráfica das camadas, foram usadas como indício de origem biogênica do querogênio identificado por espectroscopia Raman.

O que é confirmado e o que ainda é hipótese

Aqui vale separar bem as coisas. É confirmado: a idade da rocha, obtida por datação de zircão, e a presença de compostos de carbono com assinatura isotópica compatível com processos biológicos. É hipótese, ainda sob investigação: que essas camadas realmente representam resquícios de organismos vivos, e não um processo puramente químico sem participação biológica. Os próprios autores do estudo tratam a origem microbiana como a explicação mais provável, mas reconhecem que ela precisa ser reforçada por pesquisas adicionais antes de virar consenso.

Por que isso importa

Se confirmada, a descoberta empurra ainda mais para trás o relógio da vida na Terra e sugere que, já no éon Paleoarqueano, existiam microrganismos capazes de fixar carbono — ou seja, processos biológicos relativamente sofisticados teriam surgido muito cedo na história do planeta. O estudo, publicado na revista científica PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), descreve o achado como um dos registros mais antigos já datados diretamente com uma bioassinatura associada.

Por enquanto, o que existe é uma pista muito forte, não uma certeza fechada. Novos estudos sobre a mesma formação rochosa devem ajudar a confirmar — ou derrubar — a hipótese de que aquelas camadas de carbono são, de fato, um registro fóssil dos primeiros seres vivos da Terra.

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