
Rocket Lab contesta na Justiça contrato de R$ 3,7 bi da NASA com a Blue Origin
A empresa acionou o GAO alegando falhas na avaliação técnica que deu à Blue Origin o contrato para construir e operar a nova rede de comunicações de Marte. Resultado do protesto ainda é incerto.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Pra escala humana: os US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,7 bilhões) do contrato que a NASA deu à Blue Origin dariam pra pagar o salário mínimo brasileiro a mais de 2 milhões de pessoas por um mês inteiro — e é o preço que a agência espacial americana está disposta a pagar por uma única espaçonave que vai fazer de "telefonista" entre a Terra e as missões em Marte pelos próximos anos.
A Rocket Lab, fundada em 2006 pelo neozelandês Peter Beck e hoje dona dos foguetes Electron e Neutron, não gostou nada do resultado. Nesta quinta-feira (11), a empresa confirmou ter protocolado um protesto formal junto ao Government Accountability Office (GAO), o órgão de fiscalização do Congresso americano, contestando a escolha da Blue Origin — companhia espacial fundada por Jeff Bezos em 2000 e responsável pelos foguetes New Shepard e New Glenn — para construir, lançar e operar o novo orbitador.
Foto: reprodução/space.com
O que é o tal orbitador
O projeto se chama Mars Telecommunications Network (MTN) e prevê uma única espaçonave dedicada a retransmitir dados científicos, imagens e comandos entre a Terra e sondas, rovers e futuras missões em Marte. Hoje essa função é cumprida, de forma cada vez mais precária, por dois veteranos: o Mars Odyssey (2001) e o Mars Reconnaissance Orbiter (2005). Pelo contrato, a Blue Origin usará uma versão de sua plataforma multimissão Blue Ring e terá até 31 de dezembro de 2028 para entregar a espaçonave à NASA, com operação prevista em Marte a partir de 2030.
Fato confirmado x incerteza
O que está confirmado: o financiamento do projeto foi aprovado pelo Congresso americano em julho de 2025, a NASA abriu a concorrência em maio de 2026 e anunciou a Blue Origin como vencedora no início de setembro. A Rocket Lab também participava da disputa como uma das favoritas.
O motivo do protesto, segundo a própria Rocket Lab, é que "a decisão de premiação da NASA aparentemente não está de acordo com os critérios de elegibilidade estabelecidos pelo Congresso", além de apontar avaliação equivocada de sua proposta técnica.
Já incerto — e é isso que o GAO vai decidir nas próximas semanas — é se o protesto vai emperrar o cronograma ou até reverter a escolha. Há precedente dos dois lados: em 2021 a própria Blue Origin contestou no GAO a escolha da SpaceX para o módulo lunar do programa Artemis e perdeu, mas dois anos depois acabou sendo contratada para um segundo módulo lunar. Até o desfecho, a NASA segue tocando os preparativos com a Blue Origin.
Atualização (15/09, 01:12): A Rocket Lab, empresa americana de foguetes conhecida pelo lançador Electron, protocolou queixa formal alegando que a NASA violou critérios de elegibilidade ao escolher a Blue Origin para construir orbitador de telecomunicações marciano.