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Ciência01 de set. de 2026, 11:20

Ronronar de gato: por que a ciência estuda essa frequência?

O som do ronronar felino ocupa a faixa de 25 a 150 Hz, que coincide com frequências estudadas em pesquisas sobre vibração óssea em ovelhas e coelhos. Mas cientistas alertam: coincidência de faixa não é prova de que o ronronar cure fraturas.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: um som que vibra entre 25 e 150 Hz

O ronronar de um gato doméstico parece coisa banal, mas carrega uma faixa de frequência que intriga pesquisadores há mais de duas décadas. Um trabalho apresentado em 2001 registrou o ronronado de 44 felídeos — entre eles gatos domésticos, guepardos, jaguatiricas, pumas e servais — e identificou componentes fortes de frequência entre 25 e 150 hertz (Hz), segundo a pesquisadora Elizabeth von Muggenthaler, com participação de cientistas da State University of New York at Stony Brook e da Colorado State University.

Essa faixa chama atenção porque se sobrepõe, em parte, a frequências já testadas em estudos sobre vibração mecânica e ossos.

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

O que é confirmado

Os dados mais sólidos vêm de experimentos controlados em animais, não em gatos. Um deles, publicado na Nature em 2001, aplicou vibração de baixa magnitude e alta frequência nas patas traseiras de ovelhas adultas ao longo de um ano, com estímulo de 30 Hz. O resultado: aumento de 34,2% na densidade do osso trabecular do fêmur proximal, na comparação com o grupo de controle.

Foto: reprodução/oantagonista.com.br

Outro estudo, com 76 coelhos que haviam sofrido fraturas, testou cinco frequências diferentes de vibração. As de 25 Hz e 50 Hz foram as mais eficazes entre as testadas — ambas dentro do intervalo em que os gatos ronronam.

O que ainda é hipótese

Nenhum desses estudos foi feito com o ronronar em si, nem testou se o som produzido pelos gatos tem o mesmo efeito da vibração mecânica controlada em laboratório. Não existe, até o momento, pesquisa que comprove que o ronronar trata fraturas, acelera a recuperação de tecidos ou beneficia pessoas com doenças ósseas, como a osteoporose.

Em outras palavras: a sobreposição de faixas de frequência é um indício que justifica a pergunta científica, não uma resposta pronta.

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