
S&P rebaixa perspectiva da Meta; Anthropic pode ter rating 'junk'
A agência de risco citou fluxo de caixa negativo de US$ 2,12 bi no 3º trimestre da Meta, enquanto um financiamento bilionário da Anthropic deve sair com classificação especulativa.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 2,12 bilhões negativos no trimestre
A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,12 bilhões no terceiro trimestre de 2026 — a primeira vez em mais de uma década que a métrica fica no vermelho. O número levou a agência de classificação de risco S&P Global Ratings a rebaixar a perspectiva de crédito da empresa de "estável" para "negativa", mantendo a nota em AA-. A justificativa foi o volume de investimento em infraestrutura de IA: a Meta projeta gastar entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões em capex só em 2026, e já planeja captar US$ 95 bilhões — US$ 35 bilhões via oferta de dívida e US$ 60 bilhões por um programa de venda de títulos no mercado.
A S&P projeta déficits de caixa de US$ 39 bilhões em 2026 e US$ 71 bilhões em 2027. O mercado já reagiu: as ações da Meta caíram 7% no pregão seguinte ao balanço e acumulam queda de 15% em outubro, o pior mês da empresa em quatro anos. Um porta-voz da companhia discordou do tom do rebaixamento, afirmando que a Meta "enxerga oportunidades significativas em produtos e negócios".
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
Do outro lado do mesmo problema está a Anthropic, criadora do chatbot Claude e concorrente direta da OpenAI. Segundo reportagem do Financial Times que cita a gestora de investimentos Blackstone — âncora de um financiamento de US$ 63 bilhões voltado à compra de chips de IA pela empresa, batizado de "Project North Star" —, a Anthropic deve receber um rating de crédito na faixa BB, considerado especulativo ("junk"), após uma eventual oferta pública inicial de ações. A expectativa anterior era de grau de investimento até 2027; a reversão pode encarecer o custo de capital de um plano que prevê mais de US$ 800 bilhões em infraestrutura até 2045.
Os dois casos resumem a mesma pergunta que passou a rondar o boom de IA: quem banca a conta caso a receita não cresça no ritmo do investimento? Falta saber se outras gigantes de IA — Google, Microsoft, OpenAI — vão enfrentar o mesmo escrutínio de agências de risco nos próximos balanços.