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Smart CitiesMercado15 de out. de 2026, 10:21

Salão de Paris mostra elétricos pequenos que os EUA não vão ter

Enquanto o mercado americano aposta em SUVs cada vez maiores, montadoras europeias exibem carros elétricos compactos e baratos no Salão do Automóvel de Paris — um contraste que vale olhar também daqui do Brasil.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Carro pequeno também é mobilidade urbana

Enquanto as ruas brasileiras seguem lotadas de SUVs cada vez mais altos e pesados, o Salão do Automóvel de Paris 2026 mostrou que a Europa está apostando no caminho contrário: carros elétricos pequenos, baratos e pensados para rodar em cidade. A pergunta que cabe fazer é simples — por que esse tipo de veículo não chega ao mercado americano, e o que isso diz sobre o futuro da mobilidade urbana em lugares como o Brasil?

Os destaques do salão

O novo Citroën 2CV, montadora francesa do grupo Stellantis conhecida por carros populares e econômicos, foi apresentado como conceito e deve chegar à produção na Itália até 2028, com mira num preço de cerca de 15 mil euros por um elétrico pequeno e acessível. O Smart #2, marca de carros compactos urbanos originada de parceria entre Mercedes-Benz e a chinesa Geely, foi descrito como o menor carro elétrico da Europa. Também chamaram atenção o Chery Q, cidade-carro totalmente elétrico da montadora chinesa Chery, além do Cupra Raval, do Renault Twingo E-Tech, do Volkswagen ID.Polo, do Kia EV2 e do Hyundai Ioniq 3.

Por que esses carros não saem da Europa

A resposta tem duas pontas. De um lado, a regulação europeia de emissões empurra as montadoras a produzir elétricos mais baratos e eficientes para cumprir metas de frota. Do outro, tarifas americanas de 15% sobre veículos importados — com ameaça de chegar a 25% — tornam esses carros compactos pouco atrativos comercialmente nos Estados Unidos, onde a margem de lucro está nos modelos grandes.

O que isso significa para quem dirige na cidade

O contraste chama atenção: enquanto o consumidor americano (e, em boa medida, o brasileiro) é empurrado para SUVs grandes, que ocupam mais espaço nas ruas e nas vagas de estacionamento, a Europa mostra que dá para eletrificar a frota urbana com carros menores, mais baratos e mais fáceis de encaixar em ruas estreitas — realidade que não é tão diferente da de muitos centros brasileiros.

A questão que fica para quem acompanha mobilidade por aqui: enquanto o Brasil debate incentivos para elétricos, vale perguntar se o caminho é replicar o modelo americano de SUV elétrico gigante ou se existe espaço de mercado — e de política pública — para carros compactos como os vistos em Paris, mais compatíveis com o trânsito e a infraestrutura das nossas cidades.

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