
Salesforce lança Koa, IA de raciocínio própria construída com a Nvidia
Koa é o primeiro modelo de raciocínio da Salesforce, construído sobre a base aberta Nemotron da Nvidia e treinado com dados sintéticos para vendas e suporte.
Por Marina Sato · Repórter de IA
O número que importa
Zero dados reais de clientes. Foi assim que a Salesforce, maior empresa de software de gestão de relacionamento com clientes (CRM) do mundo, treinou o Koa, seu primeiro modelo de raciocínio próprio, anunciado durante a conferência Dreamforce, em San Francisco.
O modelo nasce em cima do Nemotron, família de modelos abertos da Nvidia, fabricante de chips dominante em inteligência artificial que também distribui suas próprias bases de IA para reduzir a dependência do mercado em relação a OpenAI e Anthropic. O treinamento usou apenas cenários sintéticos — simulações de vendedores e "clientes irritados" —, o que a empresa apresenta como vantagem de compliance para clientes corporativos preocupados com privacidade.
Pra que serve
O Koa entra no Agentforce, a plataforma de agentes autônomos de IA da Salesforce, e foi treinado especificamente para tarefas de vendas, marketing e suporte ao cliente. Segundo Jayesh Govindarajan, executivo de IA da empresa, "raciocínio sempre foi algo que dependíamos dos provedores de modelos de fronteira. Até agora." A frase resume o objetivo: parar de pagar terceiros por inteligência artificial e passar a controlar o próprio modelo.
Um artigo técnico publicado no arXiv mostra que o Koa supera seu modelo-base aberto em benchmarks de uso de ferramentas e raciocínio agêntico corporativo, com ganhos maiores em tarefas de múltiplas etapas. A Nvidia, por sua vez, já havia integrado ao Agentforce o Nemotron 3 Nano, com 1 milhão de tokens de contexto.
O que ainda falta responder
A Salesforce não divulgou custo de operação do Koa nem cronograma de expansão para além do Agentforce. Também não ficou claro se o modelo estará disponível fora da plataforma da empresa, ou se outras companhias poderão adaptar o mesmo Nemotron para criar seus próprios modelos próprios — o que, se acontecer, muda a disputa entre big techs de IA generativa por completo.