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IA19 de set. de 2026, 11:02

Sam Altman senta à mesa de Trump com Xi Jinping em meio à corrida da IA

CEO da OpenAI foi convidado para o jantar de Estado que a Casa Branca oferece ao presidente chinês, num momento de disputa acirrada sobre os rumos da regulação da inteligência artificial nos EUA.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Um lugar à mesa na diplomacia da IA

Imagine ser chamado para jantar na casa do chefe justamente na semana em que ele recebe o maior concorrente comercial do país. É mais ou menos a cena que vai se repetir em Washington: Sam Altman, CEO da OpenAI, foi convidado para o jantar de Estado que Donald Trump oferece ao presidente chinês Xi Jinping, durante a visita oficial do líder asiático aos Estados Unidos. Um funcionário da Casa Branca resumiu o convite em linguagem direta: Trump chama "grandes líderes empresariais" porque, segundo ele, sempre vai priorizar "bons acordos" para o país.

Altman não estará sozinho na mesa. Jensen Huang, CEO da Nvidia (fabricante dos chips que sustentam boa parte da corrida global por IA), também deve comparecer. A presença dos dois em um jantar diplomático de alto escalão é um sinal claro: a inteligência artificial deixou de ser só pauta de caderno de tecnologia e virou item de política externa.

Foto: reprodução/cnbc.com

Um setor dividido em dois times

A anedota do jantar esconde uma disputa mais profunda. Nos bastidores de Washington, o debate sobre regular ou não a IA colocou de um lado Altman e Dario Amodei (CEO da Anthropic, rival direta da OpenAI), que vêm defendendo publicamente uma desaceleração no desenvolvimento dos modelos mais avançados — e que, nesse ponto, encontraram um aliado inusitado em Elon Musk. Do outro lado, Trump aparece alinhado a nomes como o próprio Huang e Mark Zuckerberg (CEO da Meta), que preferem manter o pé no acelerador.

É como se o governo americano tivesse dois conselheiros cochichando ao mesmo tempo em cada ouvido: um pedindo cautela, outro pedindo velocidade máxima.

Por que a China entra na equação

O pano de fundo geopolítico explica por que esse jantar importa além do simbolismo. Modelos chineses de código aberto vêm encurtando a distância tecnológica em relação aos sistemas americanos, e isso muda o cálculo de qualquer negociação: quanto mais perto a China chega, menos espaço sobra para os EUA impor suas próprias regras ao resto do mundo. Não à toa, autoridades do governo Trump cogitam até um encontro à parte com executivos de IA nos bastidores da visita de Xi.

No fim, o jantar é menos sobre etiqueta protocolar e mais sobre quem senta perto de quem quando o assunto é dividir o controle de uma tecnologia que os próprios criadores dizem temer.

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