tech & talk
Mercado26 de out. de 2026, 22:43

Samsung corta produção da linha Galaxy A em 20% com crise de memórias

A Samsung deve reduzir em 20% a fabricação da linha Galaxy A no quarto trimestre de 2026, pressionada pela escalada nos preços de RAM e NAND. O aperto expõe os celulares de entrada, enquanto rivais chinesas sentem o golpe com ainda menos margem.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

O número que importa: -20%

A Samsung vai cortar em 20% a produção da linha Galaxy A no quarto trimestre de 2026, segundo informações da imprensa sul-coreana. Na prática, isso representa cerca de 10 milhões de unidades a menos fabricadas ao longo do ano, com reflexo projetado de mais 10% de redução em 2027. O corte pesa porque a família Galaxy A não é um apêndice no portfólio da Samsung: ela responde por aproximadamente 70% de todo o volume anual de smartphones da marca, que gira em torno de 230 a 240 milhões de unidades.

Por que a conta não fecha mais

A raiz do problema está nos componentes de memória. RAM e armazenamento já chegam a representar mais de 50% do custo de produção de um smartphone básico — e, segundo a consultoria Omdia, essa fatia pode subir a 64% nos aparelhos de até US$ 99. O motivo é conhecido: fabricantes de memória como a própria Samsung, a SK Hynix e a Micron, que concentram mais de 90% da produção global, estão redirecionando capacidade para atender a demanda bilionária de data centers de inteligência artificial.

O resultado nos contratos de DRAM e NAND foi um salto de preços que, dependendo da leitura, varia entre 90% e quase 180% ano a ano em alguns trimestres de 2026 — múltiplo que nenhum fabricante de celular de entrada consegue absorver sem repassar ao consumidor. No Brasil, o estrago já apareceu nas prateleiras: o Galaxy A07 4G de 256 GB saiu de R$ 1.099 para R$ 2.299, alta de 100%, e outras variantes da linha A subiram até 50%.

Quem sangra mais: Samsung segura a liderança, chinesas perdem terreno

O paradoxo é que a crise não ameaça a posição da Samsung no topo do mercado. Dados do segundo trimestre de 2026 mostram a marca sul-coreana como líder global, com 24% de participação e o crescimento mais forte entre as cinco maiores fabricantes, puxado pela linha Galaxy S — justamente o segmento premium, onde a margem ainda sustenta o repasse de custos.

Quem sente o golpe com mais força são as chinesas dependentes do segmento de entrada e intermediário: a Xiaomi registrou queda de dois dígitos nas remessas, enquanto a vivo recuou de forma significativa por dificuldades de suprimento e reajustes de preço. A Apple, por sua vez, foi a única grande marca que evitou aumentos, consolidando participação recorde de 20%.

O que vem a seguir

Com a Samsung priorizando as linhas Galaxy S e Z, a tendência para os próximos lançamentos da série A é de aparelhos com telas e câmeras mais simples — o ajuste possível num segmento que deve ver as vendas globais recuarem 22% em 2026, enquanto os modelos acima de US$ 400 ainda crescem 5,7%.

samsunggalaxy acrise de memóriasdram e nandmercado de smartphones
Compartilhar