
Samsung desenvolve robô humanoide em segredo e já supera rivais coreanos
Um projeto interno da Samsung, separado do investimento na Rainbow Robotics, estaria criando atuadores próprios baseados em motores de eletrodomésticos — e o protótipo já superaria concorrentes domésticos, segundo a imprensa sul-coreana.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
O projeto que a Samsung não confirma oficialmente
Segundo apuração do Canaltech baseada na imprensa sul-coreana, a Samsung está desenvolvendo um robô humanoide num projeto ainda não confirmado publicamente pela empresa — e que caminha em paralelo à participação que a fabricante já tem na Rainbow Robotics, empresa coreana de robótica na qual é acionista majoritária. O diferencial citado é técnico: a Samsung estaria criando atuadores próprios, adaptando tecnologias de motores usados em eletrodomésticos para funcionar como as articulações do robô, controlando o movimento de braços e pernas. O resultado, de acordo com os relatos, já teria desempenho superior a alguns dos principais concorrentes domésticos — embora nenhuma empresa rival seja citada nominalmente na reportagem original.
Por que fabricar em série pode ser a vantagem da Samsung
O trunfo apontado não é só engenharia de ponta, é escala industrial. A Samsung já fabrica componentes em volume gigantesco para sua própria linha de eletrônicos, e essa estrutura de produção em massa poderia ser reaproveitada para tornar os sistemas de movimentação do robô mais eficientes de produzir — uma vantagem que rivais menores, sem parque fabril próprio, não têm tão fácil. É uma lógica parecida com a que fez a Samsung dominar telas e chips: verticalizar a cadeia para cortar dependência externa e custo.
Contexto: a aposta mais ampla em robótica
Esse projeto secreto se encaixa numa movimentação maior da empresa. Em julho, a Samsung criou a divisão RX (Robotics eXperience), que reporta diretamente à CEO e reúne nomes como Lee Dong-kun, ex-executivo de estratégia de robótica do Hyundai Motor Group — grupo que controla a Boston Dynamics. A meta da RX é ter resultados tangíveis em humanoides ainda em 2026, com o objetivo de longo prazo de transformar todas as fábricas Samsung em unidades autônomas guiadas por IA até 2030. A empresa também mantém 35% da Rainbow Robotics e concorre num tabuleiro que já tem LG, Tesla e as chinesas Unitree e Honor.
Vale o preço no Brasil?
Não há preço, nem produto — nem uma confirmação oficial da Samsung sobre esse projeto específico. Tudo aqui ainda é rumor bem fundamentado, vindo de fontes da imprensa coreana. Mas o histórico da empresa com lançamentos de hardware sugere um caminho familiar: primeiro robôs industriais para uso interno nas próprias fábricas, depois venda B2B para outras empresas, e só então uma eventual versão de consumo. Se seguir esse roteiro, um humanoide Samsung nas prateleiras brasileiras — se um dia existir — está a anos de distância.