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Mercado22 de set. de 2026, 09:54

Samsung investe até US$ 100 milhões em reator nuclear da Kairos para a Google

Samsung C&T, braço de engenharia do grupo sul-coreano com histórico de cerca de uma dezena de reatores construídos, vai investir até US$ 100 milhões na startup nuclear Kairos Power para erguer o Hermes 2, reator de 50 MW no Tennessee que vai abastecer data centers da Google.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Samsung entra no jogo nuclear da Google

Até US$ 100 milhões. É esse o cheque que a Samsung C&T — braço de engenharia e construção do grupo sul-coreano Samsung, que já ergueu cerca de uma dezena de reatores nucleares ao redor do mundo — assinou para embarcar na Kairos Power, startup americana que desenvolve microrreatores nucleares refrigerados a sal fundido. Do total, US$ 70 milhões vêm como investimento em capital (equity) e o restante em serviços de engenharia "in-kind", ou seja, mão de obra técnica em vez de dinheiro na conta.

O que a Samsung compra com isso

O acordo coloca a Samsung C&T como parceira de construção do Hermes 2, o reator de demonstração de 50 megawatts que a Kairos está erguendo em Oak Ridge, no Tennessee. É o primeiro reator Generation IV a receber permissão de construção da NRC, a agência reguladora nuclear dos Estados Unidos, e usa tecnologia de sal fluoretado em alta temperatura (KP-FHR) com combustível TRISO — uma aposta diferente da geração a urânio enriquecido tradicional. A usina deve começar a operar em 2030.

Quem ganha com o reator

Quem paga a conta final é a Google, que assinou em outono de 2024 um acordo com a Kairos para viabilizar uma frota de reatores capazes de gerar cerca de meio gigawatt de eletricidade até 2035 — energia destinada a abastecer data centers da gigante de buscas no Tennessee e no Alabama, num momento em que a demanda elétrica da corrida por IA pressiona a rede das concessionárias americanas. A Tennessee Valley Authority, distribuidora estatal da região, já fechou um contrato de compra de energia (PPA) para os 50 MW do Hermes 2.

O tabuleiro nuclear das big techs

O movimento confirma um padrão que se repete no setor: hyperscalers como Google, Microsoft e Amazon têm buscado garantir energia limpa e previsível para IA fechando acordos de longo prazo com startups de pequenos reatores modulares, enquanto conglomerados industriais como a Samsung usam essas apostas para reentrar na cadeia de construção nuclear global — mercado que ganhou fôlego novo com o apetite elétrico dos data centers. Para a Kairos, ainda pré-receita e dependente de rodadas e parcerias estratégicas, o capital da Samsung reduz o risco de execução de um projeto que soma comissionamento regulatório, engenharia de ponta e prazo apertado até 2030. Quem carrega o risco residual, por ora, é a própria Kairos: qualquer atraso na obra do Tennessee empurra a meta de meio gigawatt da Google para depois de 2035.

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