
Samsung lidera aporte de R$ 1,2 bi em rival da Nvidia para chips de IA
A holandesa Euclyd captou US$ 231 milhões em rodada Series A liderada pela Samsung para desenvolver chips de inferência com arquitetura alternativa à das GPUs da Nvidia. Lançamento comercial está previsto para 2028.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 231 milhões é o cheque que a Samsung e outros três fundos assinaram para bancar uma alternativa às GPUs da Nvidia
A Euclyd, startup holandesa fundada em 2024 por um ex-executivo da ASML, fechou uma rodada Series A de €200 milhões (US$ 231 milhões, cerca de R$ 1,2 bilhão) para desenvolver chips de inferência de IA com arquitetura diferente da usada pela Nvidia. A rodada foi liderada pela Samsung, ao lado da Somerset Capital Partners, do Scaleup Europe Fund (administrado pela gestora EQT) e da Innovation Industries.
O valor não é trivial para uma companhia em estágio inicial: coloca a Euclyd entre as startups europeias de semicondutores mais capitalizadas do momento, num setor em que rodadas desse tamanho normalmente ficam concentradas nos Estados Unidos. Para a Samsung, a aposta é estratégica e vai além do cheque — a sul-coreana é uma das maiores fabricantes de memória do mundo e enxerga na Euclyd uma chance de reduzir a dependência do ecossistema dominado pela Nvidia, hoje dona de mais de 80% do mercado de chips para IA.
Foto: reprodução/cnbc.com
A tese técnica: menos energia, menos gargalo
O argumento comercial da Euclyd, sediada em Eindhoven, é a eficiência energética. Enquanto as GPUs tradicionais gastam energia movendo dados entre memória e núcleo de processamento, o sistema da empresa promete processar informações em múltiplos pontos simultaneamente — o que a companhia diz entregar até 100 vezes mais eficiência energética por inferência frente aos chips mais recentes da Nvidia. É uma promessa ousada, ainda não validada em produção em escala, e que só será testada de fato quando os primeiros racks saírem do papel.
Quem ganha e quem ainda precisa provar
O modelo de negócio da Euclyd é duplo: vender hardware físico para inferência e licenciar propriedade intelectual para empresas que queiram projetar seus próprios chips — replicando, em parte, a lógica de licenciamento que consagrou a britânica ARM. A meta é começar a distribuir sistemas físicos em 2028 e atingir milhares de clientes corporativos até 2030.
No curto prazo, quem sai ganhando é a própria Samsung, que garante lugar à mesa numa possível alternativa ao domínio da Nvidia sem apostar sozinha. Já a Euclyd carrega o ônus da prova: converter capital e uma tese energética atraente em silício funcionando em data centers reais, num prazo de dois anos que o mercado de chips considera curto.