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Mercado09 de out. de 2026, 10:54

Samsung pode cortar em até 30% a produção de celulares no 4º trimestre

Com a alta de até 175% no preço das memórias puxada pela demanda de data centers de IA, a Samsung prefere fabricar menos smartphones para proteger a margem, mesmo com os modelos topo de linha vendendo bem.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: até 30% menos celulares

A Samsung pediu a fornecedores um corte de 20% a 30% no volume de componentes para o quarto trimestre de 2026, segundo informações do Canaltech confirmadas por veículos internacionais como SamMobile e Android Central. Na prática, isso deve se traduzir em uma produção bem mais magra de smartphones no fechamento do ano. A consultoria IDC já esperava uma retração de 12% no período por fatores de mercado; a Samsung está mirando um corte cerca de 2,5 vezes maior que isso.

A conta não fecha: memória cara demais para dar lucro

Foto: reprodução/androidcentral.com

O motivo não é falta de demanda — os modelos mais caros, como o Galaxy S26, continuam vendendo bem. O problema é o custo dos componentes. A memória LPDDR5X de 12 GB, usada nos smartphones, custava entre US$ 145 e US$ 146 no segundo trimestre de 2026, uma alta de 175% em um ano, segundo dados da consultoria taiwanesa TrendForce. A projeção é de que o preço siga subindo no terceiro trimestre, aproximando-se de US$ 180 pela mesma configuração. Esse movimento é puxado pela explosão de demanda por chips de memória para data centers de inteligência artificial, que disputa a mesma capacidade de produção usada para memória de smartphones.

Margem versus volume: a escolha da Samsung

Com o custo de RAM e armazenamento subindo mais rápido do que a empresa consegue repassar ao preço final sem perder competitividade, a Samsung decidiu inverter a lógica histórica do mercado de celulares: produzir menos, mas proteger a margem por unidade. É uma aposta coerente com o resultado recente da companhia, que já havia mostrado força em semicondutores — justamente o lado do negócio que se beneficia da alta nos preços de memória, enquanto a divisão de celulares sofre com o mesmo fenômeno.

Quem ganha e quem perde

Do lado da Samsung, vender menos aparelhos a um custo de produção mais alto, mas preservando rentabilidade, é mais atraente do que inflar volume com margens cada vez mais estreitas. Já o consumidor tende a sentir o efeito contrário: menos oferta no mercado e pressão adicional para preços maiores em modelos intermediários e de entrada, os mais sensíveis ao custo de memória. Outros fabricantes de smartphones, que compram os mesmos chips de memória de fornecedores como SK Hynix e Micron, concorrentes diretas no mercado de DRAM, devem enfrentar pressão semelhante sobre suas margens nos próximos trimestres. A Samsung não confirmou oficialmente o corte de produção.

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