
Samsung prevê lucro de R$ 426 bi no 3º tri, salto de 782% puxado pela IA
A fabricante sul-coreana estima lucro operacional recorde com a explosão da demanda por chips de memória para data centers de IA. O número ainda é uma projeção, não o balanço definitivo.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
R$ 426 bilhões, 782% a mais
A Samsung projeta lucro operacional de 107,4 trilhões de wons — cerca de R$ 426 bilhões — no terceiro trimestre de 2026. O valor representa salto de 782% em relação ao mesmo período do ano passado e seria a primeira vez que a empresa passa de 100 trilhões de wons de lucro operacional em um único trimestre.
A receita estimada é de aproximadamente 195 trilhões de wons (R$ 774 bilhões), alta de 127% na comparação anual. É importante contextualizar: esses números são uma estimativa preliminar divulgada pela própria Samsung, prática comum entre empresas sul-coreanas antes do balanço oficial. O resultado definitivo, com detalhamento por divisão, só sai em 29 de outubro, com faixa projetada entre 194 e 196 trilhões de wons em receita e 107,3 a 107,5 trilhões de wons em lucro operacional.
Foto: reprodução/infomoney.com.br
Quem puxa a conta
O motor por trás do salto é a memória. Chips de alta largura de banda, conhecidos como HBM, usados para alimentar processadores de IA em data centers, tiveram demanda disparada neste trimestre. Some a isso a escassez de chips DRAM e NAND convencionais — também usados em servidores, PCs e smartphones — e o resultado é um cenário de preços em alta generalizada para memória.
Quem ganha nessa equação é a própria Samsung e as outras fabricantes do oligopólio de memória, como a sul-coreana SK Hynix e a americana Micron, que também devem reportar resultados fortes na mesma janela. Quem perde — ou paga a conta — são os compradores de memória a jusante: fabricantes de notebooks, smartphones e, principalmente, as gigantes de nuvem que disputam HBM para treinar e rodar modelos de IA. Esse aperto de oferta tende a pressionar custos ao longo de toda a cadeia de hardware, de data centers a consumidores finais.
O que observar até o fim do mês
O número de 782% é chamativo, mas vale lembrar que a base de comparação do ano passado foi fraca — o que infla o percentual. O teste real vem no detalhamento de 29 de outubro, quando ficará claro quanto do lucro veio especificamente da divisão de semicondutores de memória e se o ritmo de alta de preços de HBM se sustenta nos próximos trimestres, ou se já começa a arrefecer com novas capacidades entrando em operação.