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Smart Cities05 de out. de 2026, 09:44

San Antonio testa camuflar data centers de IA com floresta falsa

Microsoft planta jardins e restaura matas para disfarçar data centers gigantes em San Antonio, mas vereador e ONGs questionam se a estética resolve ruído, energia e consumo de água.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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De prédio discreto a monstro hyperscale

Nos anos 2000, os data centers que chegaram a San Antonio, no Texas, eram galpões sem graça, quase invisíveis na paisagem. Duas décadas depois, viraram megaestruturas "hyperscale" de milhões de metros quadrados que dominam o horizonte. Só no distrito do vereador Ric Galvan, uma área de 55 milhas quadradas, já existe mais de uma dúzia de instalações, com projeção de chegar a cerca de 20 nos próximos anos — a maioria ligada à corrida por infraestrutura de inteligência artificial.

A aposta da Microsoft: florestar a fachada

Para tentar reduzir a rejeição das comunidades vizinhas, a Microsoft adotou o que chama de biomimética: em vez de mudar a função do data center, a empresa veste o entorno com jardins polinizadores para borboletas-monarca, cortinas de vegetação para abafar ruído de servidores e geradores, e promessas de restauração de mais de 400 acres de floresta e pradaria. A estratégia já foi estendida a mais de 20 sites da empresa nos Estados Unidos e na Alemanha, e passa a valer para todo novo projeto americano.

Segundo Kaitlin Chuzi, da Microsoft, a ideia é "customizar as soluções para se encaixar no habitat local", restaurando ecossistemas na vizinhança das instalações.

O problema: a floresta não esconde tudo

O contraste chama atenção porque, em 2022, a própria Microsoft derrubou mais de 2.600 árvores em 33 acres em San Antonio para erguer um data center — o mesmo tipo de projeto que agora tenta compensar com paisagismo. Para Adrian Shelley, da ONG Public Citizen, a tática é "basicamente batom no porco", já que não ataca o uso de usinas a gás natural de longo prazo, financiadas em parceria com a Chevron, para alimentar essas instalações.

O vereador Ric Galvan reconhece melhorias no diálogo da Microsoft com a cidade, mas não poupa críticas: "isso [a sensação de natureza] é tirada rapidamente quando você constrói um data center gigante", disse. Ele cobra ação concreta sobre poluição do ar e recursos hídricos — não só vegetação decorativa. Em agosto de 2026, Galvan apresentou um memorando pedindo moratória temporária de três a seis meses para novos data centers na cidade, com apoio de outros vereadores, para dar tempo à prefeitura de criar regras sobre consumo de água e energia, poluição sonora e padrões de construção.

As perguntas que faltam responder

Quanto custou, afinal, maquiar esses complexos de floresta? Em outro projeto da Microsoft, em Wisconsin, a restauração de um curso d'água saiu por 4,2 milhões de dólares — mas o valor investido especificamente na camuflagem de San Antonio não foi detalhado publicamente. E quem fiscaliza se o verde no entorno realmente reduz o impacto, ou é só vitrine? Os números seguem pesados: os data centers do Texas consumiram cerca de 25 bilhões de galões de água em um ano, e as emissões de carbono da própria Microsoft subiram 25% em 2025. Enquanto isso não for resolvido, nenhuma árvore plantada na porta vai calar quem mora ao lado do barulho e das luzes ligadas 24 horas.

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