
Santa Barbara mostra como cidades dos EUA estão digitalizando pagamentos
Com 82% das renovações de impostos comerciais feitas online e 80% das contas de água e luz pagas digitalmente, Santa Barbara virou referência em modernização de pagamentos municipais — mas a corrida por carteiras digitais também acende alerta sobre segurança de dados.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Pagar imposto pelo celular já é rotina em Santa Barbara
Se você mora em Santa Barbara, na Califórnia, é bem provável que já tenha renovado a licença do seu negócio ou pago a conta de água sem sair de casa. O departamento financeiro da cidade registra 82% das cerca de 18 mil renovações de impostos comerciais feitas eletronicamente, e 80% dos pagamentos de água e luz acontecem online, por débito automático, SMS ou centrais telefônicas automatizadas. Os números aparecem em reportagem do site especializado Smart Cities Dive, que ouviu Keith DeMartini, diretor de Finanças da cidade, a assistente Lyndsay Maas e o analista administrativo Salvatore Parrilla.
A pergunta que fica é: o que muda pra quem paga a conta? Segundo a equipe de Santa Barbara, menos gente precisa ir a um guichê físico, menos papel circula e a prefeitura corta custo operacional — tudo dentro de metas de sustentabilidade da cidade. A lista de serviços digitalizados vai de multas de estacionamento a taxas de vaga em marina e inspeção de esgoto.
Quem processa o pagamento — e quanto isso custa
Para chegar a esses números, Santa Barbara trabalha com a Neumo, fornecedora que administra desde a cobrança de impostos comerciais até avaliações e tarefas de back-office. Mahala Johnson, gerente-geral de pagamentos da empresa, resume o motivo da corrida por modernização: "parece modismo, mas é crítico para a confiança do cidadão". Já Fran Falino, vice-presidente da processadora Catalis, calcula que carteiras digitais como Apple Pay e Google Pay já respondem por cerca de 26% das transações comerciais do setor. Sobre custo, a reportagem aponta que taxas de cartão de crédito cobradas das prefeituras ficam entre 2% e 2,5% por transação — mais baratas que PayPal ou Venmo. Em Tukwila, no estado de Washington, o tribunal municipal foi além: criou um sistema unificado que permite quitar multas de trânsito de diferentes jurisdições num pagamento único de US$ 25, segundo LaTricia Kinlow, administradora judicial da corte.
E quem garante que os dados estão seguros?
Aqui mora o ponto que devia preocupar qualquer contribuinte: quem fiscaliza a segurança desses sistemas? O professor William Hatcher, da Augusta University, pesquisou o tema e é direto — "a maioria das cidades dos EUA tem políticas de cibersegurança, mas falha em implementá-las e geri-las de verdade". Para ele, cidades pequenas deveriam terceirizar essa gestão para especialistas, dada a complexidade do problema.
O alerta não é isolado. Um levantamento da consultoria CORE sobre modernização de pagamentos no setor público mostra que apenas 37% dos moradores efetivamente pagam contas do governo por canais digitais, mesmo preferindo essa opção — e que ataques a órgãos governamentais dispararam: foram 208 incidentes de ransomware só no primeiro semestre de 2025, alta de 65% em relação ao ano anterior. Ou seja, digitalizar é bom para o bolso da cidade e para a fila do cidadão, mas o preço da conveniência só vale a pena se o dado do cartão de crédito estiver protegido do outro lado da tela.