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Ciência20 de out. de 2026, 19:13

Satélite russo se aproxima a 500 m de equipamento usado pela Ucrânia

O Kosmos 2612, da Rússia, fez manobras consideradas inéditas perto do ICEYE-X36, satélite de radar que ajuda a Ucrânia. Especialistas chamam o episódio de possível teste de capacidade de interferência orbital.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagina dois carros andando em rodovias diferentes, a 400 km de distância um do outro, e um deles decide se aproximar até ficar a meio quarteirão do outro — só que isso é em órbita, a quilômetros por segundo. Foi mais ou menos essa a distância final entre o satélite militar russo Kosmos 2612 e o ICEYE-X36, satélite de radar usado para monitorar o território ucraniano.

O que está confirmado

Foto: reprodução/cnn.com

Segundo a empresa de rastreamento orbital LeoLabs — companhia americana que opera uma rede de radares dedicada a monitorar objetos em órbita baixa —, o Kosmos 2612 começou a se aproximar do ICEYE-X36 em 15 de outubro, saindo de cerca de 400 km de distância para por volta de 210 km. No dia seguinte, a aproximação ficou entre 2 km e 3 km, e em determinados momentos ao longo do fim de semana a distância caiu para cerca de 500 metros, segundo a análise da LeoLabs. A manobra terminou com o satélite russo se afastando em 18 e 19 de outubro.

O ICEYE-X36 pertence à constelação da ICEYE, empresa finlandesa fundada em 2014 por pesquisadores da Universidade Aalto e hoje operadora da maior rede comercial de satélites de radar de abertura sintética (SAR) do mundo. Esse tipo de satélite consegue captar imagens da superfície mesmo com nuvens ou à noite — por isso é usado para acompanhar movimentações militares na Ucrânia. A ICEYE confirmou estar "acompanhando a situação de perto".

O que é interpretação

O astrofísico Jonathan McDowell classificou o episódio como a primeira aproximação conhecida em órbita baixa entre dois satélites ativos sem consentimento do operador de um deles. A LeoLabs foi além e disse que a sequência de manobras demonstra capacidades que poderiam ser usadas para inspecionar, caracterizar, perseguir ou até interferir em outro satélite — mas não há confirmação de que tenha havido qualquer tentativa de interferência real nesse caso específico.

Por que isso importa

Com a guerra na Ucrânia ainda em curso, imagens de satélite se tornaram parte da infraestrutura de inteligência do conflito. Um satélite de uma potência rival se aproximando a esse ponto de outro, sem aviso, acende um alerta sobre as regras — ainda frouxas — que regem o comportamento em órbita.

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