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IA06 de nov. de 2026, 07:45

Satélites armados com IA: a guerra de drones pode subir à órbita

A britânica Shield Space quer formar um esquadrão de até 100 minissatélites autônomos para defender espaçonaves estratégicas contra ataques e aproximações hostis. O plano levanta tanto esperanças de defesa quanto temores de uma corrida armamentista espacial.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Um "porta-aviões" de bolso lá no espaço

Imagine um porta-aviões que solta esquadrilhas de pequenos drones para proteger um comboio. Agora troque o mar pelo vácuo, e o comboio por satélites de observação ou comunicação. É mais ou menos essa a lógica da Shield Space, startup britânica fundada em 2025 que quer colocar em órbita uma espécie de guarda-costas robótico para espaçonaves consideradas estratégicas.

O plano, batizado de Projeto Broadsword, prevê o uso de até 100 CubeSats — minissatélites do tamanho de uma caixa de sapato, cuja unidade de medida ("8U", "3U") só indica quantos "cubinhos" de 10 centímetros formam o corpo da nave. Eles seriam liberados por uma espaçonave-mãe e, segundo a empresa, capazes de agir em conjunto mesmo que percam o sinal com a base em terra — como uma equipe de segurança que já sabe o que fazer mesmo se o rádio falhar.

Foto: reprodução/space.com

Como seria a defesa

A Shield Space fala em usar lasers, micro-ondas e técnicas de interceptação física para afastar ameaças. Na prática, seria menos "explosão de filme de ficção científica" e mais cutucão tecnológico: cegar sensores, embaralhar sinais ou se colocar no caminho de um satélite intruso para forçá-lo a desviar.

Segundo Graeme Ritchie, cofundador e CEO da empresa e ex-integrante da força aérea britânica (RAF), o custo de implantar toda a frota de 100 CubeSats ficaria abaixo de £100 milhões (cerca de R$ 700 milhões) — valor próximo ao que, segundo ele, se pagava por um único satélite tradicional no passado. O primeiro teste prático, batizado de Broadsword, está previsto para o quarto trimestre de 2027, com lançamento pelo foguete Transporter-21, da SpaceX, reduzindo a distância entre duas naves de 100 quilômetros para apenas 100 metros.

O estopim que acelerou o projeto

A urgência não é só teórica. Em outubro de 2026, o satélite russo Kosmos 2612 chegou a apenas 500 metros do ICEYE-X36, satélite comercial que fornece imagens de radar usadas por Kiev na guerra contra a Rússia — um episódio que especialistas descreveram como a primeira aproximação deliberada e não autorizada entre satélites ativos em órbita baixa. Já em maio de 2026, quatro satélites militares russos também teriam se aproximado da mesma espaçonave.

O outro lado da moeda

Aqui mora o nó da questão: um satélite programado para reagir sozinho, sem esperar ordem humana em tempo real, é também uma arma autônoma. A própria reportagem original traz um alerta nesse sentido — de que qualquer sistema desse tipo criado para ambiente militar precisa respeitar limites e instruções bem definidos. É a velha discussão sobre carros autopilotados, só que com lasers e consequências diplomáticas: um erro de leitura da IA pode ser interpretado como ataque, e não defesa, acelerando uma corrida armamentista que ainda nem tem regras claras no espaço.

Como referência de projeto cooperativo e não-militar, a Nasa já havia testado em 2023 a missão Starling, com quatro satélites operando de forma coordenada — prova de que a tecnologia de enxames orbitais existe, mas até agora sem mira.

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