
Satélites Starlink V3 são maiores que um Boeing 737 e preocupam astrônomos
Com painéis solares que somam 45 metros de ponta a ponta, os novos satélites Starlink V3 da SpaceX reacendem o debate sobre poluição luminosa e interferência de rádio em observações astronômicas.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Com os painéis solares abertos, um satélite Starlink V3 mede cerca de 45 metros de ponta a ponta — dois painéis de 19 metros cada —, envergadura maior que a de um Boeing 737. Só o corpo do satélite, sem os painéis, já é descrito como maior que uma sala de jantar.
O que foi confirmado
Segundo artigo assinado por Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia, publicado no Olhar Digital, a nova geração da SpaceX tem 1 terabit por segundo de capacidade de downlink e 160 gigabits por segundo de uplink, usando 4.096 feixes de comunicação — ante 336 feixes da geração V2, um salto de 10 vezes no download e 22 vezes no upload. Vinte satélites V3 já foram lançados de forma experimental durante o 13º voo de teste da Starship, foguete do qual o V3 depende por ser grande demais para o Falcon 9.
O que ainda é hipótese
O tamanho maior não se traduz proporcionalmente em mais brilho: segundo a mesma fonte, um V3 é apenas cerca de meia magnitude mais brilhante que um V2 a olho nu, graças a técnicas de mitigação como o revestimento VisorSat. A preocupação maior levantada por astrônomos não é o brilho visual, mas emissões espúrias — vazamentos de sinal de rádio que podem interferir em frequências usadas por radiotelescópios, problema já registrado em gerações anteriores da constelação.
Por que importa
A comunidade astronômica já vinha alertando, mesmo antes do V3, que a megaconstelação Starlink cria poluição luminosa e atrapalha levantamentos de céu inteiro, como os planejados pelo Observatório Vera C. Rubin — satélites brilhantes cruzando o campo de visão podem comprometer imagens e medições espectroscópicas inteiras.
O que falta responder
Não há ainda cronograma fechado de lançamento em massa do V3, que depende da Starship entrar em operação regular, nem dados independentes medindo o impacto real das emissões de rádio dessa nova geração em radiotelescópios.