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MercadoIA15 de out. de 2026, 10:18

Scimplify capta US$ 25 mi para disputar com a China materiais críticos

Startup indiana usa inteligência artificial para acelerar produção de químicos especializados e triplicou a receita anualizada para US$ 200 milhões. Agora mira expansão agressiva nos Estados Unidos.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Os US$ 25 milhões que reposicionam o tabuleiro químico

São US$ 25 milhões — e um valuation que saltou para US$ 250 milhões — que a Scimplify, startup indiana que usa inteligência artificial para acelerar a produção de químicos especializados e materiais críticos, acaba de embolsar numa rodada estratégica de capital. O número que realmente chama atenção, porém, é outro: a receita anualizada da empresa triplicou em um ano, de cerca de US$ 67 milhões para US$ 200 milhões, segundo a TechCrunch, que teve acesso aos dados diretamente da companhia.

A aposta por trás do dinheiro é clara. Fabricantes de semicondutores, defesa e energia vêm tentando reduzir a dependência de fornecedores chineses para insumos químicos e materiais críticos — um gargalo geopolítico que ganhou urgência nos últimos anos. A Scimplify, fundada em 2023 e sediada em Bengaluru, na Índia, se posiciona exatamente nessa lacuna: hoje, segundo o cofundador Sachin Santhosh, energia, eletrônicos e defesa já respondem por 45% a 50% da receita da empresa, ante menos de 15% um ano atrás.

Foto: reprodução/techcrunch.com

Como funciona o modelo

A companhia não é uma fábrica tradicional. Ela desenvolve processos químicos em laboratórios próprios em Bengaluru e Hyderabad e depois transfere a tecnologia para uma rede de mais de 500 instalações manufatureiras parceiras, que executam a produção em escala. O elo entre pesquisa, manufatura e controle de qualidade é a Scinode, plataforma proprietária de IA que coordena as etapas do processo — segundo Santhosh, "cada agente basicamente resolve o que o cliente precisa, trabalhando de trás para frente a partir do requisito". O resultado prático, segundo a empresa, é que pedidos que levavam de 12 a 18 meses para sair do papel até a entrega agora saem em até dois meses.

Quem ganha e quem fica de fora

A rodada foi liderada pela Hitachi Ventures, braço de investimento do conglomerado japonês Hitachi. Chama atenção a entrada de dois clientes como investidores: a alemã Henkel, gigante de adesivos e produtos químicos de consumo, e a americana Teknor Apex, fabricante de compostos plásticos — movimento que amarra fornecedor e cliente no mesmo barco financeiro. Também participaram investidores já presentes na empresa, como Accel India, Bertelsmann India Investments, Omnivore e 3one4 Capital, fundos indianos de venture capital. Com o aporte, o total captado em equity pela Scimplify chega a US$ 80 milhões.

Do novo caixa, US$ 7,5 milhões vão para a expansão nos Estados Unidos, mercado que já responde por 30% do negócio e cresceu seis vezes na comparação anual, somando US$ 60 milhões anualizados. Outros US$ 2 milhões serão investidos no desenvolvimento da Scinode. Hoje cerca de 90% da manufatura ainda ocorre na Índia, mas a empresa planeja expandir também para o Japão no próximo ano — a Europa, por ora, fica de fora dos planos de nova capacidade. Segundo a TechCrunch, a Scimplify já é EBITDA-positiva há dois meses e projeta lucro líquido já neste mês, com meta de dobrar a receita anualizada para US$ 400 milhões no próximo ano.

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