tech & talk
Smart Cities26 de out. de 2026, 23:06

Seattle compra terreno e dá primeiro passo rumo a 1 mil moradias sociais

O conselho da Seattle Social Housing Developer aprovou o primeiro terreno para construção própria: 20 unidades de renda mista no Central District. A meta é chegar a mil imóveis até o fim de 2027.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

Compartilhar

Um terreno, 20 casas e uma aposta de bilhões

Se você mora numa cidade grande brasileira, já deve ter se perguntado: por que demora tanto para um programa de habitação popular saber até onde a prefeitura vai, quanto vai custar e quando sai do papel? Em Seattle, nos Estados Unidos, o conselho da Seattle Social Housing Developer (SSHD) — uma autarquia pública criada para construir e administrar moradia social sem depender de capital privado — aprovou por unanimidade, em 15 de outubro, o primeiro terreno para construção própria da entidade, no bairro Central District.

O projeto vai erguer cerca de 20 moradias de renda mista, com pelo menos metade das unidades tendo de dois a três quartos — pensando em famílias, não só em solteiros. O custo estimado é de US$ 15 milhões (algo como R$ 80 milhões na cotação atual) e a entrega está prevista para o fim de 2028.

Foto: reprodução/kuow.org

De onde vem o dinheiro?

A pergunta que não pode faltar: quem paga a conta? A resposta é a Proposição 1A, lei aprovada por votação popular em Seattle que cobra um imposto adicional de 5% sobre a folha de salários de empregadores cujos funcionários ganham mais de US$ 1 milhão por ano. Foi esse imposto sobre grandes salários — e não dinheiro do orçamento geral — que financiou a transferência de US$ 115 milhões da prefeitura para a SSHD, aprovada pelo Conselho Municipal em fevereiro.

A meta ambiciosa: mil casas até 2027

Antes de pensar em construir do zero, a SSHD já havia comprado, ainda neste ano, um prédio de 150 apartamentos perto do Pike Place Market — e promete anunciar outra aquisição até dezembro. Somando compras e construções, a meta é possuir cerca de mil moradias até o fim de 2027. Para dar ideia da demanda represada, um sorteio anterior de unidades da entidade recebeu mais de 10 mil candidatos.

O modelo chama atenção porque a SSHD não depende de parceria com construtoras privadas nem de subsídio federal — é financiamento local, carimbado por lei, com meta e prazo públicos. Vale a pergunta para quem acompanha programas como o Minha Casa, Minha Vida no Brasil: existe aqui alguma fonte de receita tão específica e rastreável quanto essa taxa sobre super-salários, e algum órgão que precise divulgar metas numéricas tão claras quanto "mil casas até dezembro de 2027"?

habitação socialseattlemoradia popularpolítica urbanaeua
Compartilhar