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MercadoIA06 de set. de 2026, 12:41

Seattle Times e Newsday processam OpenAI e Microsoft por uso de notícias

Dois jornais dos EUA acusam as empresas de raspar conteúdo pago para treinar IA sem autorização e pedem a destruição dos dados de treinamento usados.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Mais duas ações na pilha

O Seattle Times e o Newsday, jornais dos Estados Unidos, entraram em 4 de setembro com uma ação judicial contra a OpenAI, criadora do ChatGPT, e a Microsoft, dona do Copilot, na Justiça Federal de Nova York. A acusação: as empresas teriam raspado o conteúdo dos dois jornais — inclusive matérias por trás de paywall — para treinar e operar seus produtos de inteligência artificial, sem pedir permissão nem pagar por isso. Em bom português, tratar o trabalho jornalístico como matéria-prima gratuita.

Consumidor de conteúdo se veste de produtor

O argumento central da ação é que a IA generativa funciona como uma espécie de atravessador: promete gerar informação nova, mas na prática devora o que outros produziram para alcançar objetivos comerciais próprios. Os jornais afirmam que ferramentas como o ChatGPT e os recursos de IA do Bing conseguem reproduzir passagens da reportagem original quase palavra por palavra, ou parafrasear de forma tão próxima que o leitor não precisa mais visitar o site nem pagar assinatura. Os jornais pedem indenização e, além disso, a destruição dos conjuntos de dados de treinamento que usaram o material deles — pedido bem mais agressivo do que uma simples multa.

Um capítulo, não o início

Esse tipo de processo não é novidade: o The New York Times abriu o precedente em 2023, e desde então outros veículos seguiram o mesmo caminho. O que chama atenção no caso do Seattle Times é o histórico: Microsoft e OpenAI já financiaram projetos de jornalismo e bolsas ligadas à organização do jornal — o que torna essa disputa mais um racha entre parceiros do que uma briga entre desconhecidos.

O que dizem os dois lados

Um porta-voz da Microsoft disse estar "surpreso" com a ação, mas se colocou à disposição para "explorar soluções". Já a OpenAI respondeu que seus modelos são treinados com dados publicamente disponíveis e amparados por fair use — o conceito jurídico americano que permite o uso de material protegido em certas condições, sem autorização do autor. É esse conceito, na prática, que deve decidir boa parte dos processos que ainda tramitam contra as duas empresas.

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