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GamesIA15 de out. de 2026, 09:52

SEGA diz não à IA criativa e promete jogos feitos por humanos

Em entrevista ao jornal japonês Nikkei, executivo da SEGA afirma que a empresa usa inteligência artificial só em áreas administrativas e evita a tecnologia na criação dos jogos. A companhia já criou um comitê interno para vigiar o uso de IA.

Por Théo Ramos · Repórter de Games

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SEGA pisa no freio da IA

Enquanto boa parte da indústria corre para enfiar inteligência artificial em tudo, a SEGA, produtora e distribuidora japonesa de videogames dona de franquias como Sonic, resolveu ir na contramão. Em entrevista ao jornal japonês Nikkei, Tsuyoshi Saito, diretor executivo sênior e vice-diretor executivo de negócios da empresa, foi direto: a SEGA está sendo "muito cautelosa" quanto ao uso de IA no desenvolvimento de games e não vai confiar os aspectos criativos dos jogos à tecnologia.

Na prática, isso significa que a IA fica restrita aos bastidores. Saito explicou que a empresa usa a ferramenta para "melhorar a eficiência em áreas como publishing e departamentos corporativos, bem como para gerar ideias de negócios". Ou seja: planilha, processo interno, burocracia. A parte que importa para quem joga — roteiro, arte, design — continua sendo trabalho humano.

Comitê de olho na IA generativa

A SEGA não ficou só no discurso. A empresa criou um "Comitê de IA Generativa", formado por representantes das áreas jurídica e de relações públicas de cada região em que opera. A função do grupo é estabelecer diretrizes, validar ferramentas e fazer verificações de conformidade antes que qualquer uso de IA generativa avance.

Isso é relevante porque mostra que a cautela não é só discurso de marketing para agradar fã chateado — tem estrutura formal por trás, com gente de compliance acompanhando de perto.

Exemplos concretos: Crazy Taxi e Tupac

A empresa já havia admitido o uso de IA generativa na fase inicial de pesquisa de Crazy Taxi: World Tour, mas reforça que a tecnologia não entrou na criação dos assets finais do jogo — ou seja, não foi a IA que desenhou personagem, cenário ou mecânica.

Outro exemplo citado foi Stranger Than Heaven, jogo que recria o rapper Tupac Shakur e tem Snoop Dogg no elenco. Segundo a SEGA, a recriação do artista foi feita sem uso de inteligência artificial.

Por que isso importa pra quem joga

Num momento em que jogador reclama cada vez mais de assets genéricos, texto robótico e dublagem sintética em games grandes, a postura da SEGA é um contraponto que vale ser cobrado de outras publishers. Dizer que não vai terceirizar criatividade pra IA é fácil; a pergunta que fica é se a empresa vai manter essa linha quando a pressão de custo apertar. Por enquanto, a palavra empenhada é essa.

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