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MercadoIA29 de set. de 2026, 11:00

Seguradora dos EUA culpa IA por US$ 942 milhões extras em hospitais

A Blue Cross Blue Shield Association afirma que hospitais usaram IA para inflar a complexidade de contas médicas ao longo de dois anos — hospitais discordam da leitura dos dados.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

US$ 942 milhões. É o quanto a Blue Cross Blue Shield Association, uma das maiores associações de seguradoras de saúde dos Estados Unidos, calcula que hospitais americanos cobraram a mais dos planos de saúde ao longo de dois anos — do primeiro trimestre de 2023 ao quarto trimestre de 2025 — usando ferramentas de inteligência artificial para codificar internações.

Como a conta foi feita

Segundo a associação, a fatia de internações classificadas como "casos complexos" — categoria que paga reembolsos mais altos — subiu de cerca de 37% no início de 2023 para 40% no final de 2025. A entidade estima mais de 55 mil casos complexos a mais nesse período, gerando US$ 653 milhões apenas em reembolsos extras, a uma média de US$ 11.800 por caso.

O argumento da seguradora é direto: os dados mostram "um aumento acentuado" no número de pacientes documentados com condições complexas, mas "nenhuma evidência de mudança correspondente no atendimento prestado" — ou seja, a IA estaria inflando a papelada sem inflar o cuidado real.

Quem ganha, quem perde

Hospitais discordam da leitura. A posição do setor é que os pacientes internados hoje são genuinamente mais velhos e mais doentes que há alguns anos, e que a documentação mais detalhada — parte dela auxiliada por IA — está simplesmente capturando condições que antes passavam batido, não inflando artificialmente as contas.

Do lado da indústria de tecnologia, Shiv Rao, fundador da Abridge AI, startup que vende ferramentas de IA para documentação médica, reconheceu que o cenário pode gerar distorções, mas defende que a mesma tecnologia também pode reduzir atritos e cortar custos. Já Luke Chalker, vice-presidente sênior da BCBSA, descreveu a disputa em termos dramáticos: "não é uma guerra. É um massacre completamente unilateral" — na visão dele, contra as seguradoras.

O que ainda não está claro

Não há, até agora, uma auditoria independente que confirme qual das duas leituras dos dados está certa — se o aumento nos casos complexos reflete pacientes de fato mais graves ou codificação inflada por IA. Também não está definido se outras associações de seguradoras vão replicar esse tipo de análise, nem se reguladores de saúde nos EUA vão intervir na disputa.

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