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Ciência01 de set. de 2026, 11:20

Sem rovers novos, NASA aposta US$ 2,1 bi em helicópteros para Marte

Pela primeira vez em três décadas, a NASA não tem um novo lander ou rover confirmado para Marte. Em vez disso, a agência investe no SR-1 Freedom, missão nuclear de US$ 2,1 bilhões que levará três minihelicópteros ao planeta vermelho.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Uma missão do tamanho de um projeto de rover, mas sem rover nenhum

US$ 2,1 bilhões é, grosso modo, o que a NASA costumava gastar para colocar um único rover sofisticado na superfície de Marte. Desta vez, esse valor não vai comprar nem um lander: vai financiar um reator nuclear voando pelo espaço e três helicópteros do tamanho de uma caixa de sapatos. É esse o retrato da nova estratégia marciana da agência americana, batizada de SR-1 "Freedom" (Space Reactor-1).

O que está confirmado

Segundo reportagem da Ars Technica, pela primeira vez em mais de 30 anos a NASA não tem um plano firme para enviar um novo lander ou rover a Marte. O motivo direto é orçamentário: um pacote de gastos aprovado pelo Congresso americano no início de 2026 praticamente eliminou o financiamento da missão Mars Sample Return, classificada pela administração como "financeiramente instável" e "muito acima do orçamento" — parte de um corte de mais de US$ 3 bilhões no orçamento científico da NASA.

Em meio a esse vácuo, a NASA e seu administrador, Jared Isaacman, anunciaram oficialmente a missão SR-1 Freedom, com lançamento previsto para dezembro de 2028 e chegada às proximidades de Marte cerca de um ano depois. O custo estimado de construção e lançamento da espaçonave é de US$ 2,1 bilhões — valor que, segundo a reportagem, não inclui os helicópteros que ela vai carregar.

A espaçonave é descrita como a primeira nave interplanetária movida a fissão nuclear, destinada a demonstrar propulsão elétrica nuclear no espaço profundo — tecnologia que a NASA quer aproveitar de equipamentos já desenvolvidos para o programa lunar Gateway.

O que ainda é plano, não fato consumado

O payload chamado "Skyfall" prevê o transporte de três helicópteros da classe Ingenuity — sucessores do pequeno drone que voou em Marte a partir de 2021. Diferentemente dos rovers tradicionais, eles se separariam da cápsula durante a entrada atmosférica e pousariam sozinhos, sem depender do sistema de guindaste aéreo ("sky-crane") usado em missões como a do rover Perseverance.

A função planejada dos helicópteros seria explorar possíveis locais de pouso para futuras missões humanas e usar radar de penetração no solo para mapear depósitos de água congelada — dado considerado essencial para qualquer base marciana futura. Até aqui, tudo isso permanece no campo do planejamento: a missão ainda não voou, e detalhes de engenharia, contratos e cronograma final podem mudar até 2028.

O pano de fundo da mudança de estratégia

A aposta em helicópteros ocorre justamente quando amostras coletadas pelo rover Perseverance seguem em Marte sem missão aprovada para trazê-las à Terra — um símbolo do recuo da NASA em relação ao modelo tradicional de exploração com rovers e landers de pouso único, caro e de longa maturação.

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