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Smart Cities06 de set. de 2026, 12:41

Sem verba federal, cidades dos EUA recorrem a bancos climáticos próprios

Com o recuo do financiamento federal americano, prefeituras e estados testam bancos climáticos, parcerias privadas e participação popular obrigatória para bancar obras de resiliência.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Calor recorde e orçamento que não fecha

Pra escala do problema: Riverside, na Califórnia, teve 79 dias acima de 35°C em 2024 — 65% mais que em 2003, com pico de 46°C. A prefeita Patricia Lock Dawson resume o dilema que atinge cidades americanas depois que o governo federal cortou repasses para adaptação climática: "Apesar do recuo do governo federal... o trabalho continua. Tem que continuar."

Uma pesquisa da National League of Cities, entidade que reúne prefeituras dos Estados Unidos, mostra que 84% dos municípios dizem não ter orçamento suficiente pra resiliência e 81% estão reconsiderando investimentos em infraestrutura.

Foto: reprodução/brookings.edu

Bancos climáticos entram em cena

Em Massachusetts, a saída encontrada foi criar um banco estadual dedicado ao clima, o Massachusetts Community Climate Bank, capitalizado com US$ 50 milhões desde 2023. Segundo a Chief Climate Officer do estado, Melissa Hoffer, "não teremos dinheiro suficiente para esses investimentos em resiliência se depender só de subsídio." O banco já precisou se reorganizar depois dos cortes federais e comprometeu US$ 13 milhões em dois projetos de habitação acessível, segundo o site de notícias imobiliárias Bisnow.

A conta é grande: Massachusetts estima precisar de US$ 90 bilhões a US$ 130 bilhões até 2050 só em resiliência.

Comunidade como parte do financiamento

Em Riverside, a prefeitura tornou a participação popular praticamente um pré-requisito para acessar verba: a cidade plantou 1.000 árvores, instalou painéis solares em 100 casas e promoveu 36 encontros com moradores, reunindo mais de 4.000 comentários públicos antes de liberar recursos.

A ICLEI USA, rede internacional de governos locais voltada à sustentabilidade, também aparece como articuladora desses programas em camadas — que combinam dinheiro estadual, filantrópico e privado numa tentativa de reduzir a dependência de Washington.

O que ainda falta responder

Nenhuma das fontes detalha quem audita o uso desse dinheiro nem que garantias existem de que os bancos climáticos estaduais vão sobreviver a trocas de governo. Também não há dado sobre quanto as prefeituras citadas já gastaram no total com essas novas estruturas — só o valor inicial dos fundos. Para o cidadão que paga a conta, falta ainda transparência sobre o retorno concreto desses investimentos.

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