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Smart CitiesSegurança25 de ago. de 2026, 12:20

Sem verba federal, cidades dos EUA recorrem a IA contra ciberataques

A National League of Cities firmou parceria com a CyberAlliance para oferecer uma plataforma de inteligência artificial que avalia riscos cibernéticos em prefeituras, depois que o governo Trump cortou o financiamento de um recurso usado desde 2003.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Quando a verba federal acaba, quem protege a prefeitura?

A National League of Cities (NLC), entidade que representa milhares de municípios americanos, anunciou parceria com a empresa CyberAlliance para oferecer uma plataforma de inteligência artificial batizada Sally AI a governos locais. A ferramenta faz avaliações de risco cibernético, oferece orientação estratégica, acesso a workshops, treinamentos e benchmarking entre cidades. A pergunta óbvia — quanto isso custa às prefeituras — não aparece na reportagem original, e é justamente esse tipo de letra miúda que a imprensa e o cidadão deveriam cobrar antes de qualquer prefeito brasileiro se inspirar no modelo.

O motivo da pressa: corte de verba federal

A iniciativa, chamada National Municipal Cyber Resilience Initiative, surge num momento de aperto: incidentes cibernéticos contra municípios americanos cresceram 42% em 2025, com casos de alto perfil em Minnesota, Califórnia e no Distrito de Columbia. Ao mesmo tempo, a administração Trump cortou o financiamento federal do Multi-State Information Sharing and Analysis Center (MS-ISAC), recurso de compartilhamento de inteligência contra ameaças usado por cidades desde 2003. Segundo levantamentos posteriores ao corte, dezenas de estados e mais de dez mil jurisdições locais deixaram de ter acesso ao serviço, que passou a cobrar mensalidade.

Quem cobra a conta no Congresso

Uma coalizão de entidades municipais — incluindo a própria NLC — pediu ao Congresso que destine US$ 300 milhões ao State and Local Cybersecurity Grant Program no ano fiscal de 2027, argumentando que investimento federal sustentado continua essencial para que toda comunidade, por menor que seja, tenha acesso a capacidades básicas de defesa cibernética. Existe ainda um projeto de lei, o Guaranteeing Universal Access to Cybersecurity Act, que propõe restaurar o acesso ao MS-ISAC e autorizar US$ 50 milhões anuais para o programa.

O paralelo brasileiro

No Brasil, prefeituras também são alvo frequente de ataques de ransomware — casos já derrubaram sistemas de emissão de guias, folha de pagamento e até semáforos em cidades médias — mas não existe um equivalente nacional ao MS-ISAC bancado por verba federal, nem um comitê que centralize alertas para todos os municípios. Fica a pergunta de sempre: quem, no Brasil, avisa a prefeitura pequena antes do ataque acontecer, e quem fiscaliza se a solução privada oferecida no lugar da verba pública realmente entrega o que promete?

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