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Mercado26 de out. de 2026, 23:07

Sem viralizar: como Engine e Gamma fisgaram e retiveram clientes

No TechCrunch Disrupt 2026, fundadores da Engine e da Gamma e uma sócia da Google Ventures mostraram que vendas tradicionais, criadores segmentados e dados de retenção valem mais que um post viral.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O dado que importa: US$ 150 milhões antes do primeiro cheque de VC

A Engine, startup americana de reservas de viagens e hospedagem para empresas de médio porte, bateu US$ 150 milhões em reservas antes de levantar qualquer rodada externa. O número foi revelado por Elia Wallen, fundador e CEO da companhia, durante painel no TechCrunch Disrupt 2026, realizado em São Francisco na semana de 13 a 15 de outubro. A mensagem central do encontro: crescimento sustentável de clientela não depende de viralização nas redes — depende de execução repetitiva e metrificada.

No mesmo painel, Grant Lee, fundador e CEO da Gamma, software de apresentações com inteligência artificial que hoje tem avaliação multibilionária e receita recorrente anual de US$ 100 milhões, defendeu uma tese mais sofisticada sobre marketing de criadores. Completou a mesa Crystal Huang, sócia-geral da Google Ventures, braço de investimentos da Google, trazendo a ótica do investidor sobre o que diferencia tração passageira de base de clientes que fica.

Quem ganha: quem trata aquisição como disciplina, não sorte

O recado de Lee foi direto: criador de conteúdo não é bala de prata genérica. "Se você tem um produto que pode servir a diferentes segmentos ou casos de uso, você quer ter criadores que falem com cada um desses públicos especificamente", disse ele, descartando a tática de contratar influenciador e simplesmente esperar o resultado.

Wallen foi na contramão do hype de growth hacking: ligação telefônica, venda liderada por fundador e presença física em eventos ainda funcionam. A Engine chegou a contratar um mágico para atrair público em feiras do setor — um lembrete de que diferenciação de marca pode ser tão simples quanto um truque de carta na mesa certa.

Já Huang trouxe o filtro que todo investidor aplica depois do primeiro entusiasmo: analisar dados de uso para achar clientes recorrentes, curva de engajamento crescente e os chamados "super fãs" — usuários dispostos a evangelizar o produto sem incentivo financeiro.

Quem perde: quem terceiriza a retenção para o algoritmo

O painel também citou duas startups de IA em estágio inicial que vêm construindo audiência grande a partir da presença pessoal dos fundadores nas redes sociais — prova de que exposição viral ainda existe como caminho, mas não como garantia. Para fundadores brasileiros que tentam copiar playbooks do Vale do Silício, o recado da Disrupt 2026 é incômodo, mas útil: boa parte do trabalho que separa tração de negócio continua sendo invisível e repetitivo — planilha de uso, ligação telefônica, criador bem escolhido — e não um vídeo que explode do nada.

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