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Smart Cities13 de set. de 2026, 15:43

Semáforos com IA prometem menos trânsito, mas quem audita os resultados?

São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba já usam algoritmos e inteligência artificial para ajustar o tempo dos sinais em tempo real. Os números de redução de lentidão variam muito de cidade para cidade — e o custo público nem sempre é claro.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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O que muda para quem dirige todo dia

Se você mora em São Paulo, Belo Horizonte ou Curitiba, pode já ter passado por um cruzamento que "aprendeu" o seu horário de pico sem avisar. Os chamados semáforos inteligentes usam sensores, câmeras e algoritmos de inteligência artificial para ajustar o tempo de abertura e fechamento do sinal em tempo real, em vez de seguir um ciclo fixo programado há anos. Em tese, isso cria "ondas verdes" nas avenidas mais sobrecarregadas e prioriza quem está preso no congestionamento — mas cada cidade está testando isso de um jeito, com resultados bem diferentes entre si.

Como funciona, na prática

Foto: reprodução/autopapo.com.br

Segundo reportagem do Canaltech, existem três níveis de sofisticação: sensores simples que só detectam a presença de carros e pedestres, sistemas intermediários que coordenam as fases de um corredor inteiro, e os mais avançados, que usam algoritmos adaptativos capazes de antecipar a chegada de grandes volumes de veículos antes mesmo do congestionamento se formar.

Em São Paulo, 1.677 cruzamentos já operam com essa tecnologia, e a cidade também aderiu ao Green Light, projeto do Google que cruza dados do Google Maps e do Waze para sugerir ajustes de tempo semafórico — as recomendações passam pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), órgão municipal responsável pelo trânsito na capital paulista, que decide se aplica ou não cada mudança. Desde junho, a cidade registra queda de cerca de 10% nas paradas nos pontos monitorados, e a Avenida Indianópolis chegou a 66,2% de redução na lentidão.

Cada cidade, um número diferente — e pouca transparência sobre custo

Aqui é onde vale desconfiar um pouco dos superlativos. Belo Horizonte, via BHTrans (empresa de trânsito e transportes da prefeitura), instalou os primeiros semáforos inteligentes no bairro Santa Efigênia com investimento de R$ 1,07 milhão e promete estender a tecnologia a 500 cruzamentos ainda este ano, com redução estimada — mas não comprovada em larga escala — de 30% a 35% no deslocamento em horário de pico. Já Curitiba aplicou cerca de R$ 12 milhões em 2025 na modernização da sinalização semafórica da cidade.

Ou seja: três cidades, três valores de investimento divulgados de formas distintas, e nenhuma delas publicou até agora uma auditoria independente comparando o que foi prometido com o que de fato foi entregue ao motorista e ao pedestre. Até lá, o cidadão segue tendo que confiar na palavra da prefeitura — e no sinal fechado.

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