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Mercado09 de set. de 2026, 08:42

Seminovos já são 78% do mercado, e Trocafone aposta em quiosque físico

A Trocafone, marketplace brasileiro especializado na compra e venda de smartphones e notebooks seminovos, abriu em agosto seu segundo quiosque físico em shopping da Grande São Paulo. O movimento acompanha uma virada expressiva do consumidor brasileiro em direção aos aparelhos usados.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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78% do mercado já é seminovo

A participação de smartphones seminovos nas vendas do Brasil saltou de 60% em 2025 para 78% em 2026, segundo o Intelligence Report 2025-2026 da plataforma Mercado Phone, que conecta mais de 3.500 lojas no país. Os aparelhos novos, no mesmo período, caíram de 40% para apenas 22% de participação — uma inversão de 18 pontos percentuais em cada lado da balança. É nesse cenário que a Trocafone, marketplace brasileiro especializado na compra e venda de smartphones e notebooks seminovos, decidiu apostar em presença física: a empresa inaugurou em agosto um quiosque no Shopping Taboão, na Grande São Paulo, somando-se a uma unidade já existente no Shopping Tamboré.

Como funciona o quiosque

Foto: reprodução/docmanagement.com.br

No espaço, o consumidor pode levar o celular usado para avaliação presencial pelo serviço "Troca Fácil" e receber uma oferta que pode ser usada como parte do pagamento na compra de outro aparelho do catálogo da loja, com peças classificadas em graus de conservação — excelente, muito bom, bom e outlet. Segundo o CEO da Trocafone, Flavio Peres, a proposta é simplificar uma jornada que hoje costuma passar por grupos de venda online, aplicativos de classificados ou revendedores informais. O plano da empresa inclui ainda expandir o quiosque para venda de acessórios, aplicação de películas e recebimento de aparelhos com defeito, que são encaminhados a um centro de reparo especializado para retirada posterior no local. Por ora, a Trocafone não confirmou se pretende levar o formato para outros shoppings ou cidades.

Quem ganha com a loja física

Para o consumidor, o principal ganho é a segurança: negociar em um ponto físico reduz a exposição a golpes comuns em vendas por marketplace ou redes sociais, como pagamentos falsos, aparelhos com chip de bloqueio (IMEI negativado) ou trocas que nunca se concretizam. A avaliação na hora também elimina a incerteza de anúncios online, em que o valor final só é conhecido após inspeção — muitas vezes com o comprador tentando negociar para baixo depois de já ter o aparelho em mãos.

Desafio para o varejo tradicional

A virada estatística no consumo é o dado que mais chama atenção: quando sete em cada dez smartphones vendidos no país já são seminovos, fabricantes e redes de varejo que dependem do aparelho zero-quilômetro sentem a pressão direta na margem. O relatório da Mercado Phone associa o movimento a ciclos de troca mais longos e à busca por modelos premium de gerações anteriores com melhor custo-benefício — um comportamento que tende a se aprofundar enquanto o preço médio do smartphone novo seguir subindo no Brasil. Quiosques como o da Trocafone formalizam um mercado que antes era dominado por canais informais, mas também sinalizam que a disputa pelo consumidor de seminovos deixou de ser exclusividade do ambiente digital.

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