
Senadores dos EUA cobram TikTok sobre experimento que desligou proteção
Marsha Blackburn e Richard Blumenthal enviaram carta ao TikTok exigindo explicações sobre teste que desativou uma salvaguarda de segurança para 15 milhões de usuários nos EUA. A empresa tem até 1º de setembro para responder 13 perguntas.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Os senadores Marsha Blackburn (republicana do Tennessee) e Richard Blumenthal (democrata de Connecticut) enviaram uma carta ao CEO do TikTok, Shou Chew, e ao executivo Adam Presser, exigindo explicações sobre um experimento interno da plataforma. Segundo reportagem da Bloomberg citada pelo TechCrunch, o TikTok desativou deliberadamente uma salvaguarda algorítmica projetada para evitar que usuários fossem sobrecarregados por conteúdo nocivo — o objetivo era criar um grupo de controle e medir se essa proteção tornava o aplicativo menos "engajante".
O teste atingiu cerca de 10% dos usuários americanos da plataforma, o equivalente a aproximadamente 15 milhões de pessoas. Os senadores classificaram a decisão da empresa como "depravada".
Quem é afetado
O caso que deu origem à cobrança envolve Chase Nasca, adolescente de 16 anos de Bayport, Nova York, incluído aleatoriamente no grupo de controle do experimento em 25 de janeiro de 2022. Ele morreu por suicídio um mês depois. De acordo com a apuração da Bloomberg, 73% dos 7.563 vídeos exibidos a Nasca nas duas últimas semanas de vida traziam temas ligados a sofrimento mental, conscientização sobre suicídio, solidão, relacionamentos ou tristeza.
O episódio reacende a preocupação sobre como plataformas de vídeo curto testam mudanças em seus algoritmos de recomendação em usuários reais — inclusive menores de idade — sem que fique claro o nível de consentimento, aviso ou monitoramento envolvido.
O que fazer agora
Blackburn e Blumenthal cobram respostas a 13 perguntas específicas, entre elas os nomes de todos os funcionários que tinham conhecimento do experimento, a justificativa para incluir menores de idade no grupo de controle e uma lista completa de experimentos algorítmicos conduzidos nos Estados Unidos que envolveram a desativação de salvaguardas de segurança. O prazo dado ao TikTok para responder é 1º de setembro de 2026.
Para pais e responsáveis, o caso reforça a importância de acompanhar de perto o tipo de conteúdo que adolescentes recebem em redes sociais baseadas em algoritmos de recomendação, especialmente em períodos de mudanças que as próprias empresas não divulgam publicamente. Já para o Congresso americano, a cobrança se soma a um histórico de pressão sobre o TikTok por transparência algorítmica — o desfecho depende agora da resposta da empresa dentro do prazo estabelecido.