
Sequoia encerra 20 anos de expansão e capta US$ 10 bi em novos fundos
A gestora de venture capital Sequoia Capital anunciou o fechamento de programas e do escritório de Londres ao mesmo tempo em que levantou cerca de US$ 10 bilhões em novos fundos, revertendo duas décadas de expansão.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 10 bilhões para financiar uma volta ao passado
Enquanto a maioria das gestoras de venture capital mede sucesso por quanto cresce, a Sequoia Capital — uma das maiores gestoras de capital de risco do Vale do Silício, investidora histórica de empresas como Apple, Google e Airbnb — anunciou nesta quarta-feira (4) que está fazendo o caminho inverso: encolhendo. Em memorando divulgado publicamente, a firma revelou o fechamento de programas e escritórios que levou 20 anos para construir, ao mesmo tempo em que capta aproximadamente US$ 10 bilhões em novos fundos.
O que está sendo desmontado
Entram na lista de baixas o programa Arc, uma espécie de aceleradora em lotes lançada em 2022 para cheques de pré-seed e seed, e o Scouts, programa mais antigo, criado por volta de 2009, que permitia a fundadores e operadores investirem pequenas quantias em nome da própria Sequoia. O escritório de Londres, aberto em 2020, também será fechado, encerrando seis anos de presença direta da gestora na Europa.
Internamente, a Sequoia também fundiu as equipes que antes trabalhavam separadas em estágios iniciais (early-stage) e de crescimento (growth-stage) em um único time, achatou a hierarquia de sócios e extinguiu a tradicional reunião de segunda-feira entre os sócios seniores. A firma passa a ser administrada por sete general partners: Alfred Lin e Pat Grady, que dividem a liderança, além de Andrew Reed, Shaun Maguire, Konstantine Buhler, Sonya Huang e David Cahn.
Quem sai e quem fica
A reestruturação também movimenta nomes. Jess Lee deixou a função de investidora para se tornar diretora de produto da própria gestora; Stephanie Zhan saiu para abrir sua própria firma; Carl Eschenbach retornou como sócio em tempo integral; e Luciana Lixandru recusou se realocar geograficamente, optando por continuar investindo de forma pessoal enquanto mantém assentos em conselhos de empresas investidas. O memorando resume o momento em uma frase: "é assustador quebrar algo que já está funcionando bem, e é doloroso se despedir de gente boa".
Quem ganha com a mudança
Quem sai na frente são os fundos recém-capitados: os cerca de US$ 10 bilhões recém-levantados se somam a um fundo de US$ 7 bilhões já captado em abril, direcionado a apostas em estágio avançado — quase o dobro do fundo equivalente de 2022. Já os programas voltados a cheques pequenos e descentralizados, como Arc e Scouts, e a presença física fora da Bay Area, como o escritório londrino, ficam de fora da nova fase, mais concentrada e com menos camadas de decisão.