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MercadoIA29 de set. de 2026, 10:57

SiMa.ai capta US$ 150 milhões e chega a US$ 1,45 bi apostando na IA física

Fidelity e Amplify lideram Series C da startup de chips que rodam IA direto em robôs, drones e câmeras, sem depender da nuvem — o valuation eleva a captação total da empresa a mais de US$ 500 milhões.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 1,45 bilhão é o número que importa

A SiMa.ai, startup americana que projeta chips e software para rodar inteligência artificial diretamente em robôs, drones e câmeras sem depender de conexão com a nuvem, fechou uma rodada Series C de US$ 150 milhões que eleva sua avaliação a US$ 1,45 bilhão. A rodada foi coliderada pela gestora Fidelity Management & Research Company e pela gestora de venture capital Amplify, com a soma total captada pela empresa desde a fundação chegando a mais de US$ 500 milhões.

O múltiplo que separa nuvem de borda

O salto de avaliação — de US$ 960 milhões, atingidos na Series B de US$ 85 milhões em julho de 2025, para os atuais US$ 1,45 bilhão — não é tão vertiginoso quanto os múltiplos vistos em provedores de inferência em nuvem, mas confirma que o chamado "physical AI" virou categoria própria de investimento. Fundada em 2018 por Krishna Rangasayee, ex-COO da fabricante de chips de IA Groq, a SiMa.ai vende uma proposta específica: processamento de baixa latência e menor consumo de energia, mais barato que recorrer a GPUs da Nvidia, para dispositivos que não podem depender de internet — da fábrica ao chão de operação militar. A rodada teve participação de Alter Venture Partners, Dell Technologies Capital e StepStone Group, além da entrada de novos nomes como AllianceBernstein, Baron Capital, J.P. Morgan e o fundo de pensão do estado americano de Michigan — sinal de que investidores mais conservadores, tipicamente avessos a apostas de estágio inicial, também estão entrando nessa mesa.

Quem ganha e quem perde

Quem ganha é a SiMa.ai, que usa o capital para expandir presença em robótica humanoide, sistemas automotivos, drones e automação industrial — mercados que crescem na esteira do boom de IA generativa, mas que dependem de chips especializados, não de data centers gigantes. Ganha também Rangasayee, que valida a tese de que existe espaço para desafiantes da Nvidia fora do nicho de treinamento de modelos, focando em inferência na borda. Quem perde, potencialmente, são fabricantes de chips genéricos e provedores que apostam só na nuvem: a entrada de investidores institucionais pesados como Fidelity e J.P. Morgan neste tipo de rodada mostra que o mercado está precificando a IA física como categoria de longo prazo — não apenas um nicho experimental —, o que tende a atrair ainda mais capital e concorrência para quem ainda não escolheu esse lado do tabuleiro.

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