
Simulações sugerem que a Lua se formou em só cinco horas
Novo modelo do Southwest Research Institute mostra que a resistência das rochas e a temperatura do impacto que formou a Lua podem ter acelerado o processo.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Pra escala humana: o processo que a ciência hoje considera mais provável para a formação da Lua — décadas, ou até séculos, de poeira e detritos se aglutinando lentamente em órbita da Terra — pode ter, na verdade, se resolvido em cerca de cinco horas. É o que sugerem novas simulações do Southwest Research Institute (SwRI), instituto americano de pesquisa espacial e planetária, em parceria com a Universidade do Arizona.
O que é confirmado, o que é hipótese
Confirmado: a Lua se formou a partir de uma colisão entre a Terra primitiva e um corpo do tamanho de Marte, batizado de Theia — a chamada hipótese do grande impacto segue sendo a mais aceita pela comunidade científica. Hipótese, e é aqui que o novo estudo entra: dependendo das condições do impacto, a colisão pode tanto destruir Theia por completo, espalhando detritos ao redor da Terra, quanto permitir que uma Lua praticamente inteira se forme quase de imediato.
As variáveis que mudam o resultado
O diferencial da nova simulação está em duas variáveis que estudos anteriores simplesmente ignoravam: a resistência geológica dos materiais envolvidos e a temperatura dos corpos no momento do choque. Corpos mais quentes se comportam de forma mais frágil — os pesquisadores testaram cenários a 126,8°C, 526,8°C e 1.726,8°C — e é essa temperatura que parece definir se o resultado é uma Lua intacta ou uma nuvem de destroços.
O que o estudo diz sobre a Lua de hoje
Segundo Robin Canup, coautora do estudo ao lado de Adeene Denton, os resultados apontam para uma possível conexão entre propriedades físicas da Lua atual — como seu conteúdo de elementos voláteis — e o estado térmico da Terra e de Theia no instante do impacto. A pesquisa foi publicada na revista The Astrophysical Journal Letters, mas ainda não resolve uma pergunta central: qual era, de fato, a temperatura da Terra há 4,5 bilhões de anos. Essa resposta segue em aberto — e é ela que vai dizer qual dos dois cenários realmente aconteceu.