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Ciência09 de out. de 2026, 10:50

Síndrome de Kessler: estamos criando um cinturão de lixo ao redor da Terra?

Cerca de 47 mil objetos já orbitam a Terra somando 17 mil toneladas, e um estudo estima que colisões em cadeia podem inutilizar órbitas entre 2040 e 2184.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Pra escala humana: a Lua recebeu, desde as missões Apollo, cerca de 3 mil equipamentos humanos — de rovers a 96 sacos de dejetos da Nasa —, somando 209 toneladas de material abandonado em sua superfície. Ao redor da Terra, o volume é bem maior: cerca de 47 mil objetos espaciais, entre satélites ativos, destroços e estágios de foguete, somam aproximadamente 17 mil toneladas em órbita, segundo dados da Agência Espacial Europeia (ESA, agência que reúne 22 países europeus) de julho de 2026.

O que é a Síndrome de Kessler

Foto: reprodução/cnn.com

O cenário batizado de Síndrome de Kessler, descrito em 1978 pelos cientistas da Nasa Donald Kessler e Burton Cour-Palais, prevê que, a partir de certa densidade de objetos na órbita baixa — a faixa até 2 mil km de altitude, a mais congestionada —, colisões passam a gerar fragmentos que se chocam com outros objetos em efeito cascata. O resultado seria uma camada de destroços capaz de tornar algumas órbitas inutilizáveis por séculos.

Confirmado x hipótese

O que está confirmado: a contagem de objetos rastreados cresceu de forma acelerada nas últimas décadas, puxada pela multiplicação de constelações de satélites. O que é hipótese: quando exatamente o efeito cascata começaria. Um estudo da Universidade de Chicago estima que a Síndrome de Kessler pode ser desencadeada entre 2040 e 2184, dependendo do ritmo de novos lançamentos e de quanto lixo for removido ativamente da órbita.

Quem está de olho

A órbita geoestacionária, a 35.786 km de altitude, usada por satélites de telecomunicações, está fora da zona de maior risco imediato. Ainda assim, pesquisadores do Outer Space Institute, grupo que reúne cientistas de política espacial, tentam levar o tema à ONU para pressionar por regras mais duras sobre novos lançamentos.

Confirmado: o lixo está acumulando. Hipótese: quando a conta vence. Nenhum estudo ainda cravou uma data — só uma janela de mais de 140 anos.

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