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Ciência15 de ago. de 2026, 18:41

Como os terremotos agora ajudam a medir furacões

Pesquisadores de Stanford combinaram sismômetros e microfones de infrassom para monitorar a intensidade de furacões, em estudo publicado na Science.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: menos de 1 milímetro que valeu um estudo

Um deslocamento do solo inferior a 1 milímetro, registrado por cerca de 100 segundos durante a passagem do furacão Isaac pela Louisiana em 2012, foi o ponto de partida para uma técnica que agora promete ajudar a monitorar a força de furacões em tempo real. A descoberta, liderada pela doutoranda Qing Ji, do laboratório do geofísico Eric Dunham em Stanford, com participação de Ipshita Dey, foi publicada na revista Science em 6 de agosto de 2026, com financiamento inicial da National Science Foundation.

Como funciona: dois sinais que já existiam

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

A técnica combina sismômetros — sensores originalmente feitos para captar terremotos — com microfones de infrassom, que registram ondas sonoras de frequência baixa demais para o ouvido humano. Um furacão gera turbulência atmosférica que vibra minimamente o solo; ao mesmo tempo, as flutuações de pressão na camada limite da tempestade produzem infrassom. Juntando os dois sinais, os pesquisadores conseguem inferir mudanças de pressão da tempestade e até identificar a passagem do olho do furacão — sem depender só de satélites ou dos aviões "caça-furacões" que hoje fazem esse trabalho.

O que é confirmado e o que ainda é hipótese

O que está confirmado: no caso do furacão Isaac (categoria 1), os dados captados pelos sismômetros — instalados originalmente para outro projeto de geofísica na região — mostraram "forte correspondência" com os métodos convencionais de monitoramento, segundo o estudo publicado na Science. O que ainda é hipótese: se a técnica funciona igual em furacões muito mais fortes. Os pesquisadores citam os furacões Andrew (1992) e Michael (2018), ambos categoria 5, como próximos casos para validar o método — mas esses testes ainda não foram feitos.

Se a técnica se confirmar em tempestades maiores, a vantagem seria monitorar furacões com uma rede de sensores que já existe e é barata perto de satélites dedicados — sismômetros estão espalhados pelo território americano havia décadas, à espera de um segundo uso.

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