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Segurança19 de set. de 2026, 11:00

Site do governo dos EUA usou IA chinesa que FBI chamou de maliciosa

A ferramenta de busca do Federal Register usava o modelo Qwen, da chinesa Alibaba, dias depois de autoridades acusarem empresas chinesas de copiar modelos americanos em escala industrial.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

O site do Federal Register, mantido pelo National Archives (Arquivo Nacional dos Estados Unidos) e usado para consultar regulamentações federais, tinha uma ferramenta de busca rodando o modelo de IA Qwen, da chinesa Alibaba, uma das maiores empresas de tecnologia e comércio eletrônico da China. O uso veio à tona na mesma semana em que autoridades americanas acusaram publicamente a Alibaba de copiar, de forma “maliciosa”, modelos da Anthropic, empresa americana por trás do Claude, para treinar suas próprias ferramentas de IA. A ferramenta de busca com Qwen foi retirada do site numa quarta-feira, por volta do momento em que capturas de tela do recurso começaram a circular nas redes sociais — achado confirmado pela Reuters a partir de uma versão arquivada do código-fonte da página.

Quem é afetado

O caso expõe uma contradição na própria política de segurança do governo americano. Na semana anterior, um alerta conjunto de CISA, NSA e FBI já havia classificado a atividade de empresas chinesas de IA — incluindo DeepSeek, Moonshot AI, Alibaba, MiniMax, StepFun e Z.AI — como “agressiva, maliciosa e direcionada, em escala industrial”, acusando-as de extrair bilhões de tokens de modelos de fronteira americanos (variantes de Claude, GPT, Gemini e Grok) desde o fim de 2024. Ou seja: o mesmo governo que alertava sobre o risco usava, sem perceber, uma ferramenta construída sobre um desses modelos num site oficial. Especialistas ouvidos pela imprensa americana avaliam que o episódio pode não ter representado risco real à segurança nacional, mas o simbolismo político é grande. A embaixada chinesa em Washington chamou as acusações de cópia de “infundadas”.

O que fica de lição

Para órgãos públicos e empresas que integram ferramentas de IA em serviços digitais, o caso reforça um ponto prático: verificar a origem e a cadeia de fornecimento dos modelos usados em sistemas voltados ao público, especialmente quando a própria política de segurança da instituição trata a procedência desses modelos como fator de risco. A remoção rápida da ferramenta, sem explicação pública detalhada do National Archives, deixa em aberto se houve falha de processo interno de aprovação de fornecedores ou apenas um teste que passou despercebido.

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