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Mercado01 de nov. de 2026, 22:01

Sites recriam som de fita VHS e de internet discada em acervo digital

Museus digitais como o alemão Conserve the Sound reúnem ruídos de aparelhos que saíram de uso, do modem ao toque de calculadora antiga.

Por Marcos Silva · Repórter de plantão

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Um arquivo só de sons que já não existem mais

Alguns sons marcaram uma geração. O modem discando. A fita VHS rebobinando. O chiado antes de uma ligação entrar.

Hoje, boa parte desses ruídos já não aparece no dia a dia. Projetos digitais trabalham para que eles não desapareçam de vez.

Quem guarda esses sons

O Conserve the Sound, museu digital mantido na Alemanha dedicado a preservar ruídos de aparelhos em desuso, reúne gravações organizadas por década e por categoria. O acervo vai da década de 1910 até aparelhos recentes. Tem telefone de disco, walkman, máquina de escrever, orelhão e modem 56k.

O BigSoundBank, banco de efeitos sonoros gratuito usado por produtores de áudio e vídeo, segue lógica parecida. Organiza uma linha do tempo sonora que vai do acendimento do fogo até o som de um modem conectando à internet. Também entram na lista o Web Design Museum, que preserva versões antigas de sites, e o Internet Archive, biblioteca digital sem fins lucrativos que guarda softwares de outras décadas.

Por que alguém preserva isso

Os projetos têm dois objetivos declarados. Um é nostalgia. O outro é registro histórico da evolução da tecnologia.

O Conserve the Sound inclui depoimentos em vídeo de pessoas que usaram esses aparelhos no dia a dia. A ideia é documentar não só o som, mas o contexto em que ele existia.

Da tecla física à tela sensível ao toque

O recorte comum entre os sons reunidos é a transição de botões físicos para interfaces digitais.

Calculadoras com teclas. Celulares com teclado numérico. Telefones com disco giratório.

Cada um desses objetos tinha um som próprio, ligado ao movimento mecânico de apertar, girar ou puxar algo. A tela touch unificou a maior parte dessas interações — e apagou os ruídos que vinham com elas.

O que resta checar

Não há informação pública sobre quantos acessos esses arquivos recebem hoje, nem sobre quem financia a manutenção deles a longo prazo.

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